sábado, 12 de setembro de 2015

Uma boa notícia nunca fez mal a ninguém




Há quem, chamando-lhe e apelando ao "consenso",  defenda que é sobre os partidos que não abandonaram os valores de esquerda que recai o ónus de regenerar e trazer de volta um partido que se mudou de armas e bagagens para a direita a dizer-se de esquerda. E há quem defenda que, pelo contrário, o tal consenso não é possível  quando o tal partido mais depressa se alia à direita do que abdica da agenda de direita que torna possíveis tais alianças para se aliar à esquerda sem torná-la também direita. Eu sempre fui da opinião que nada como uma derrota eleitoral atrás da outra para obrigar um partido dito "socialista" a ser o que diz ser, socialista, e que confiar-lhe o voto é contribuir para adiar o resgate dessa identidade perdida. Os trabalhistas ingleses parece que partilham desta minha convicção. Elegeram Este Sábado para a liderança do Labour Jeremy Corbyn à primeira volta com 59,5% dos votos. Os socialistas e social-democratas europeus têm fundados motivos para comemorar o adeus que hoje os trabalhistas britânicos souberam dizer à praga da terceira via que prostituiu o seu partido e todos os congéneres por essa Europa fora à agenda de concentração de riqueza neoliberal e aos mais que muitos crimes de guerra que a NATO foi cometendo ao longo das últimas décadas. É olhar para o programa com que Jeremy Corbyn se apresentou a votos e imediatamente se percebe que hoje o socialismo europeu já tem um farol para se guiar: "nacionalizar a grande indústria e recuperar bens públicos, incluindo os caminhos de ferro, o gás e a electricidade, aumentar a progressividade dos impostos, investir para criar emprego, reconstruir o serviço nacional de saúde, abolir as propinas nas universidades, sair da NATO e recusar as aventuras belicistas, terminar com a opção nuclear das forças armadas britânicas". Uma boa notícia nunca fez mal a ninguém.

Vagamente relacionado: em vez de apresentar as tradicionais felicitações pela vitória, o Primeiro-ministro e líder conservador David Cameron escreveu o seguinte na sua conta do twiter: "O partido trabalhista é agora uma ameaça à nossa segurança nacional, à nossa segurança económica e à nossa segurança familiar". "Nossa", dele e dos interesses que representa, bem entendido. Tão bom. O lado de cá da democracia pôs o lado de lá a tremer.


2 comentários:

fb disse...

Os trabalhistas britânicos elegeram este sábado para a liderança do Labour Jeremy Corbyn à primeira volta com 59,5% dos votos. Os socialistas e social-democratas europeus têm fundados motivos para comemorar o adeus que hoje os trabalhistas britânicos souberam dizer à praga da terceira via que prostituiu o seu partido e todos os congéneres europeus à agenda de concentração de riqueza neoliberal e a todos os crimes de guerra que a NATO foi cometendo ao longo das últimas décadas. É olhar para o programa com que Jeremy Corbyn se apresentou a votos e imediatamente se percebe que hoje o socialismo europeu já tem um farol para se guiar: "nacionalizar a grande indústria e recuperar bens públicos, incluindo os caminhos de ferro, o gás e a electricidade, aumentar a progressividade dos impostos, investir para criar emprego, reconstruir o serviço nacional de saúde, abolir as propinas nas universidades, sair da NATO e recusar as aventuras belicistas, terminar com a opção nuclear das forças armadas britânicas". Uma boa notícia nunca fez mal a ninguém.

Anónimo disse...

Uma boa notícia seria acabar a hipocrisia dos que que usam da liberdade que lhes é permitida por estarem inseridos numa aliança militar que os livrou da tirania para apelarem ao abandono dessa mesma aliança militar.