terça-feira, 8 de setembro de 2015

Para recordar quando eles falarem em PIB



Fala-se muito no PIB e muita gente sabe que é uma grandeza que corresponde ao somatório de toda a riqueza gerada por um país num determinado período de tempo, o mais frequente é considerar um ano. Menos gente tem a percepção das parcelas que compõem esse somatório: rendimentos do trabalho, lucros de empresas, rendas de propriedade, juros de aplicações financeiras, etc. E menos gente ainda tem a percepção de que a composição do PIB é um dado tudo menos neutro. Talvez por isso a política seja assunto tão aborrecido para a grande maioria. E política é isto, é o que nos altera as vidas, não aquela aritmética da estabilidade e da governabilidade que nos é servida pela comunicação social falada e escrita como o objectivo dos objectivos a atingir juntamente com o crescimento do PIB. Mas que parte do PIB? Outro galo cantaria se o PIB fosse apresentado ao público de forma a que ficasse à vista de todos como a tal estabilidade e a tal governabilidade têm trabalhado para alterar a sua composição, sobretudo desde a adesão à moeda única. Desde então, os rendimentos do trabalho vêm perdendo para todas as restantes parcelas do PIB a uma velocidade cada vez maior.


O que os partidos do arco que deu cabo disto tudo e a sua comunicação social nos vêm dizendo quase sem contraditório e com toda a insistência para promoverem a aceitação do empobrecimento que nos impuseram é que quanto maiores forem os lucros maior será o investimento, logo, maior será a criação de emprego. Assim seria se quem produz vendesse toda a sua produção, mas quem produz vende cada vez menos, e cada vez menos porque a massa salarial foi encolhendo, eles encolheram-na. E não se arrisca investir para produzir o que não se vende.


O que nunca dizem, uma omissão que põe a maioria que vive de rendimentos do trabalho envolvida em disputas fratricidas por migalhas – hoje testemunhámos mais uma – e a dar a força do seu voto a partidos que fomentam propositadamente o desemprego para moldar o crescimento do PIB ao crescimento dos lucros, das rendas e dos juros sacrificando as suas vidas, é que sem os salários que as suas políticas vão destruindo com esse objectivo deixaria também de haver consumo, e deixou de haver consumo, que sem consumo também não haveria investimento produtivo, e deixou de haver investimento produtivo, que os lucros iriam sendo, como foram, desviados para a especulação financeira, cujos proveitos não dependem do consumo, e que com a nova composição do PIB, agora com um menor peso dos salários, porque a vontade política dita que cerca de 4 em cada 5 euros de receitas fiscais provenham dos salários e porque o arco até reduziu a tributação de lucros, para obter a mesma receita fiscal os salários foram sendo progressivamente ainda mais sobrecarregados com impostos. Mas sobre isto escreve-nos hoje a deputada Mariana Mortágua, como só ela sabe, no seu artigo semanal no JN.


Da minha parte, apenas acrescentarei a este que já vai longo que o barco começou a ir ao fundo quando aceleraram a transferência de riqueza dos salários para o capital e que só deixaremos de ouvir falar em crise com políticas de pleno emprego e de combate às desigualdades que reponham o equilíbrio que a recomposição do PIB atrás descrita desequilibrou. Haja votos que dêem força a essa prioridade que é dever de todos fortalecer.

1 comentário:

fb disse...

O que nunca dizem, uma omissão que põe a maioria que vive de rendimentos do trabalho envolvida em disputas fratricidas por migalhas –hoje testemunhámos mais uma – e a dar a força do seu voto a partidos que fomentam propositadamente o desemprego para moldar o crescimento do PIB ao crescimento dos lucros, das rendas e dos juros sacrificando as suas vidas, é que sem os salários que as suas políticas vão destruindo com esse objectivo deixaria também de haver consumo, e deixou de haver consumo, que sem consumo também não haveria investimento produtivo, e deixou de haver investimento produtivo, que os lucros iriam sendo, como foram, desviados para a especulação financeira, cujos proveitos não dependem do consumo, e que com a nova composição do PIB, agora com um menor peso dos salários, porque a vontade política dita que cerca de 4 em cada 5 euros de receitas fiscais provenham dos salários e porque o arco até reduziu a tributação de lucros, para obter a mesma receita fiscal os salários foram sendo progressivamente ainda mais sobrecarregados com impostos. Mas sobre isto escreve-nos hoje a deputada Mariana Mortágua, como só ela sabe, no seu artigo semanal no JN.