quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O pleno emprego e a utopia dos empatas







Quando existem poucos empregos e muitos desempregados, o mais racional é reduzir o número diário de horas de trabalho sem qualquer redução salarial. É a melhor forma de garantir o direito ao emprego a mais gente, distribuir melhor a riqueza e aumentar uma produtividade que, é sabido, vai decrescendo ao longo do dia. Esta foi uma das medidas tomadas com êxito nos Estados Unidos para fazer face à crise de 1929. É também uma medida que, passados tantos anos de avanços tecnológicos que em princípio libertariam as sociedades de cargas horárias de trabalho que tornaram desnecessárias, mais resistências desperta apesar da riqueza estar concentrada como nunca esteve e embora o desemprego seja o flagelo social destes anos. Que exploradores do factor trabalho se oponham à ideia entende-se, estão no seu papel de exploradores. Que Governos como os que temos tido se oponham e até adoptem medidas de sinal contrário também se entende, estão ao serviço dos primeiros e fomentam o desemprego para fazer cair os salários e concentrar a riqueza. Mas que sejam os próprios trabalhadores a fazê-lo, e a fazê-lo de uma forma que lhes salta imediatamente essa palavra que décadas de domesticação carregaram de carga negativa, utopia, e que se ponham a defender empregadores que os exploram e Governos que lhes enegrecem o presente e lhes roubam o futuro, aí já se estranha. Dedico-lhes estas linhas que escrevo para destacar a excelente notícia que nos chega da Suécia, país onde em alguns sectores e empresas experimentaram reduzir a jornada de trabalho das 8 para as 6 horas sem qualquer redução salarial   e onde, por exemplo, o responsável da fábrica da Toyota em Gotemburgo, com jornada de trabalho de 6 horas há 3 anos, fala em ganhos importantes de eficiência, em funcionários mais felizes e, vejam lá a utopia, num aumento de 25% nos lucros. Os "realistas" de serviço são sempre os maiores travões do desenvolvimento social que é dever de todos, deles também,  saber exigir. Quando deixamos de exigi-lo, em vez de avanços civilizacionais, o resultado é a decadência que vivemos há décadas: a utopia dos empatas.

1 comentário:

fb disse...

Uma excelente notícia que nos chega da Suécia, país onde em alguns sectores e empresas experimentaram reduzir a jornada de trabalho das 8 para as 6 horas sem qualquer redução salarial e onde, por exemplo, o responsável da fábrica da Toyota em Gotemburgo, com jornada de trabalho de 6 horas há 3 anos, fala em ganhos importantes de eficiência, em funcionários mais felizes e, vejam lá a utopia, num aumento de 25% nos lucros. Os "realistas" de serviço são sempre os maiores travões do desenvolvimento social que é dever de todos, deles também, saber exigir. Quando deixamos de exigi-lo, em vez de avanços civilizacionais o resultado é a decadência que vivemos há décadas: a utopia dos empatas.