quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Não gostei de ler: sobre 25 segredos de Passos e de Costa


Os jornalistas do Público José António Cerejo e Paulo Pena inspiraram-se nos testes obrigatórios feitos pelos partidos Democrático e Republicano norte-americanos aos seus candidatos e enviaram às duas figuras que, apesar de em Portugal elegermos deputados e não Governos, se assumem “candidatos a Primeiro-ministro” um conjunto de  perguntas bastante precisas que estes poderiam ter respondido nem que fosse por respeito aos eleitorados respectivos. Segundo contam, a resposta da coligação chegou um dia depois do envio, a 9 de Setembro: “Encarrega-me o Director de Campanha de agradecer o seu convite, mas o Primeiro-Ministro tem uma agenda preenchida até às eleições e não vai poder encaixar o vosso amável convite.” Do lado do PS, os contactos foram quase diários, com uma vaga promessa de resposta, que acabaria por não chegar. Abaixo republico uma selecção das perguntas mais importantes que Pedro Passos Coelho e António Costa não quiseram responder, um gesto  que eleitores que não passam cheques em branco jamais deixariam sem resposta no dia de todas as escolhas sobre o nosso futuro colectivo. Como facilmente perceberá quem as analisar, são perguntas demasiado importantes e Passos e Costa seriam os mais interessados em respondê-las publicamente. Por que é que não o fizeram? Apesar de nada simpática, uma bebedeira de governabilidade será, entre o amplo leque de possibilidades,  uma das explicações mais fofinhas.  


1. Tem, ou alguém da sua família próxima (mulher e filhos) tem, contas bancárias no estrangeiro?

2. Alguma vez foi titular de contas em refúgios fiscais (off-shores)?

3. Tem dívidas superiores a dez mil euros? A que entidades? E qual o montante (se superior a dez mil euros)?

9. Por favor detalhe o seu património imobiliário, do qual é proprietário ou locatário, e o da sua mulher.

10. Tem a sua situação fiscal regularizada? E as contribuições para a Segurança Social?

11. Alguma vez foi alvo de processos de execução, ou de penhoras motivados por dívidas a entidades públicas ou privadas?

12. Considera-se um contribuinte exemplar, no sentido em que sempre cumpriu todas as suas obrigações com o fisco e com a segurança social dentro dos prazos e sem coimas, ou juros de mora, desde que exerce funções públicas? Quer especificar a natureza das falhas em que eventualmente tenha incorrido nas suas relações com esses serviços?

13. Alguma vez participou na discussão e votação em órgãos como a Assembleia da República, assembleias e executivos autárquicos, em que estivessem em causa assuntos em que tivesse interesses particulares?

14. Alguma vez invocou nesses órgãos, ficando registado em acta, algum dos impedimentos previstos na lei para não participar na discussão e votação de assuntos em que possa ser sujeito de conflito de interesses?

15. Alguma vez foi advertido, por escrito e pelos órgãos competentes, para qualquer omissão ou declaração incorrecta verificada nas declarações de rendimento e registos de interesse que entregou ao longo dos anos, no Tribunal Constitucional e na Assembleia da República?

16. Alguma vez violou algumas das normas do Estatuto dos Deputados (Lei nº 7/93), em particular aquelas sobre os impedimentos a que os deputados estão sujeitos?

17. Por favor, detalhe as empresas e entidades às quais prestou serviços remunerados, a título de profissão liberal ou de trabalho dependente?

18. As empresas para as quais trabalhou receberam apoios estatais ou comunitários?

19. Já foi accionista ou dono de alguma quota em alguma empresa? Se sim quais as empresas em cujo capital participou e qual é o estado actual dessas participações societárias? Vendeu-as? A quem?

23. A quantos cargos de eleição se candidatou?

24. E quantos cargos de nomeação aceitou?

25. Quantas vezes contribuiu financeiramente para campanhas eleitorais no passado. E com que montantes?

2 comentários:

fb disse...

1. Tem, ou alguém da sua família próxima (mulher e filhos) tem, contas bancárias no estrangeiro?
2. Alguma vez foi titular de contas em refúgios fiscais (off-shores)?
18. As empresas para as quais trabalhou receberam apoios estatais ou comunitários?
19. Já foi accionista ou dono de alguma quota em alguma empresa? Se sim quais as empresas em cujo capital participou e qual é o estado actual dessas participações societárias? Vendeu-as? A quem?

Anónimo disse...

Se respondessem com verdade nunca poderiam ser candidatos. Nem sequer a uma Junta de Freguesia.