sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Gostei de ler: "Volkswagen: o carro sem povo"



«O escândalo recente da falsificação de dispositivos, 11 milhões, que burlavam as emissões, tem outro escândalo tão ou mais grave nele contido, na verdade sem contenção social alguma – a permanente utilização de impostos de todos nós para a “economia verde” em que estas empresas, por meio de isenções, benefícios, e outros malabarismos fiscais recebem milhões para produzir carros “limpos”, quando na verdade a única coisa limpa para um liberal sério era a Volkswagen ser tratada como uma empresa privada igual ao café da esquina, pagar impostos, não receber dinheiro algum, ter inspecções regulares, e o dinheiro público ser usado para uma boa rede de transportes públicos gratuitos e universais, onde os próprios ex-trabalhadores da Volkswagen podiam ir trabalhar – a construir e manter comboios. Até porque com a queda do consumo interno, por via dos cortes de salários e aumentos de impostos, quem pagou a salvação da Volkswagen,
nós também na Auto-Europa, agora tem carro mas não tem dinheiro para a gasolina e se tiver para a gasolina não tem para pagar o jantar – o carro está parado, é do povo mas o povo não anda nele.
A empresa quase colapsou em 2008 (lembro que a Alemanha foi a seguir aos EUA e Inglaterra o país que mais ajudou a sua banca privada desvalorizada, em muitos sectores semi-falida, nomeadamente porque houve paragem da produção das grandes empresas a começar pelo sector automobilístico – muito mais que o subprime foi a GM, a Volkswagen, a Fiat – que está há 5 anos em lay off financiado pelo Estado italiano 28 dias por mês! trabalham 2…). Merkel reagiu usando o dinheiro dos contribuintes para uma mega operação de reconversão de carros, “incentivo” à compra de carro novo, isenção de impostos, etc. Como grosso a maioria dos contribuintes é quem trabalha e vive do salário a factura da queda do lucro da Volkswagen foi assumida “solidariamente” pelos trabalhadores e com o aval dos seus dirigentes sindicais e de quase todos os “ecologistas” deste mundo, que na comissão industrial patrões/trabalhadores, primeiro dentro da Alemanha e depois em Bruxelas, onde se sentam todas as comissões, ensinam ao resto do mundo como manter uma empresa a dar taxas médias de lucro sem gastar dinheiro próprio, usando claro o dinheiro dos outros e os dos próprios trabalhadores.
Finalmente a fraude mostra aquilo que os intelectuais críticos sempre têm afirmado – a corrupção é endémica na fase de declínio do capitalismo, ela na verdade não é exclusiva de nenhum modo de produção, corruptos há desde sempre, o problema é que por via da industrialização, da gigante arrecadação fiscal que é o Estado e da falência/ou colapso dos lucros de todas estas grandes empresas privadas que para manter lucros passaram a depender de dinheiros públicos, a corrupção tornou-se um polvo de dimensões jamais vistas. A lei da oferta e da procura deixa de existir, o liberalismo troca a mão livre pela braço pesado do Estado a colectar impostos para salvar estas empresas. E é onde elas são maiores que a corrupção será cada vez maior – nos países mais ricos, EUA e Alemanha. É certo que os primeiros já resolveram o problema – chamam-lhe lobby e legalizaram-no.
Os mais cínicos dirão que é inevitável, a corrupção está em nós. Não está no modo de produção. Com a mesma sinceridade com que um príncipe medieval considerava inevitável ter servos a trabalhar para si ou na antiga Grécia era impensável não ter escravos.» – Raquel Varela.


1 comentário:

fb disse...

Merkel reagiu usando o dinheiro dos contribuintes para uma mega operação de reconversão de carros, “incentivo” à compra de carro novo, isenção de impostos, etc. Como grosso a maioria dos contribuintes é quem trabalha e vive do salário a factura da queda do lucro da Volkswagen foi assumida “solidariamente” pelos trabalhadores e com o aval dos seus dirigentes sindicais e de quase todos os “ecologistas” deste mundo, que na comissão industrial patrões/trabalhadores, primeiro dentro da Alemanha e depois em Bruxelas, onde se sentam todas as comissões, ensinam ao resto do mundo como manter uma empresa a dar taxas médias de lucro sem gastar dinheiro próprio, usando claro o dinheiro dos outros e os dos próprios trabalhadores.