quarta-feira, 9 de setembro de 2015

E viva os noivos!


Gostava de ter assistido ao debate do ano, afinal foi para "o debate do ano" que as três televisões que esta noite transmitiram em simultâneo o frente-a-frente entre Pedro Passos Coelho e António Costa passaram a semana a convidar-me. E não vi debate do ano nenhum, aliás como já sabia que não iria assistir. É que o debate do ano incluiria sempre a questão da dívida impagável que os partidos dos dois senhores que se recrearam no "debate do ano" nos puseram às costas. Como já sabia que os ditos senhores estão de acordo que essa dívida não é para renegociar e como já sabia que o painel de jornalistas que conduziria o debate seria composto por pessoal altamente especializado em narrativas por encomenda, imaginei que Pedro Passos Coelho e António Costa se poriam também de acordo para não o discutirem, como acabou por se verificar.

Na vez do debate do ano serviram-nos Sócrates, diferenças mais horizontais ou mais verticais para as mesmas receitas desse empobrecimento geral que tem aumentado o número de portugueses nas listas de milionários da imprensa internacional, qualidades próprias e defeitos alheios.

Ao menos que tivessem falado na liberalização dos despedimentos que ambos têm programadas. Ninguém lhes perguntou.

Ao menos que Costa tivesse explicado que espécie de esquerda é a sua que em vez de pôr os grandes patrões a pagar salários decentes prefere descapitalizar a Segurança Social para alimentar com as nossas reformas futuras o consumo presente, sem o qual o crescimento económico e o emprego serão sempre uma miragem. Não lhe colocaram a questão nestes termos.

Ao menos que Pedro Passos Coelho tivesse admitido que fomentou deliberadamente o desemprego para conseguir a desvalorização que quando tínhamos soberania monetária e essa desvalorização se repartia por todos e não apenas por quem vive de rendimentos do trabalho, palavras suas, a competitividade externa era obtida com a "batota" da desvalorização cambial. Nenhum dos entrevistadores lhe perguntou se fomentar o desemprego não é batota.

Enfim. Não desiludiram as claques respectivas, o objectivo número um destes circos mediáticos, pelo que cada uma delas poderá recrear-se agora com as habituais teorias imparcialíssimas sobre quem venceu o debate, veredicto que não avançarei por não o ter notado e por ser o que menos importa aqui. O  que vale mesmo é que nenhum dos dois terá maioria absoluta e todo este espectáculo acabará em casamento assim que sejam conhecidos os resultados eleitorais. Um Governo PSD/PS sempre foi tudo o que Cavaco Silva pediu para poder terminar o seu mandato em beleza.

1 comentário:

fb disse...

Na vez do debate do ano serviram-nos Sócrates, diferenças mais horizontais ou mais verticais para as mesmas receitas desse empobrecimento geral que tem aumentado o número de portugueses nas listas de milionários da imprensa internacional, qualidades próprias e defeitos alheios.