quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Contas à moda do Costa: o tamanho de uma mentira


Lembrar-se-ão com certeza os que assistiram com atenção ao frente-a-frente de ontem entre Pedro Passos Coelho e António Costa que este último se comprometeu a reduzir a dívida dos actuais 130% para 117% do PIB, diz ele que através do efeito sobre o crescimento económico do consumo presente dos descontos que deixaremos de fazer para as nossas reformas futuras. Há mentiras maiores e há mentiras menores. O tamanho desta, que por outras palavras equivale a dizer que a receita de Costa irá pôr a economia a crescer perto da casa dos dois dígitos nos próximos quatro anos, poderão comprová-la através de um pequeno exercício aritmético. Primeiro somem o vosso rendimento anual. A grandeza que obtiverem considerem-na na vez do PIB português. A seguir multipliquem esse valor por 1,3. Considerem-no na vez da dívida pública, 130% do PIB. A seguir ponham esta dívida a crescer 3% ao ano. A nossa cresce a um juro mais elevado. E a seguir verifiquem a que taxa é que o vosso rendimento anual terá que crescer para conseguirem que a dívida seja 117% do vosso rendimento anual no final dos quatro anos. Se não estiverem para dar-se ao trabalho de resolver o exercício proposto, adianto-vos que o resultado aproximado é 8,3% (*). É este o tamanho da mentira de Costa. António Costa ontem disse-nos que irá pôr a economia a crescer acima dos 8.3% ao ano e durante quatro anos consecutivos. A mentira é tão evidente – e quem quiser aprender mais sobre este tema poderá ler aqui – que se torna impossível admitir que não o fez conscientemente. E é uma mentira que nos sairá muito cara: caso Costa receba votos suficientes para poder levar a sua adiante, esta mentira irá custar-nos a dignidade na velhice para a qual todos trabalhamos uma eternidade cada vez mais alargada. E apenas acrescento o seguinte para que estas linhas não sejam mal interpretadas: se a prioridade das prioridades for apear o Governo da actual maioria, um voto no Bloco ou um voto na CDU valem tanto como um voto no PS. E sem surpresas desagradáveis.


(*) corrigido do post original.

3 comentários:

fb disse...

É este o tamanho da mentira de Costa. António Costa ontem disse-nos que irá pôr a economia a crescer 12,4% ao ano. A mentira é tão evidente – e quem quiser aprender mais sobre este tema poderá ler aqui – que se torna impossível admitir que não o fez conscientemente. E é uma mentira que nos sairá muito cara: caso Costa receba votos suficientes para poder levar a sua adiante, esta mentira irá custar-nos a dignidade na velhice para a qual todos trabalhamos uma eternidade cada vez mais alargada. E apenas acrescento o seguinte para que estas linhas não sejam mal interpretadas: se a prioridade das prioridades for apear o Governo da actual maioria, um voto no Bloco ou um voto na CDU valem tanto como um voto no PS. E sem surpresas desagradáveis.

João Vasco disse...

O valor a que cheguei é ligeiramente menor, 8,3%, ainda assim uma enormidade.

Filipe Tourais disse...

Na formulação que coloquei inicialmente, que não estava muito clara, o valor a que cheguei eram aqueles 12,4%. Mas aproveitei a sua chamada de atenção, que agradeço, e reformulei o problema para que não fiquem dúvidas, considerando que as duas grandezas crescem e não há amortizações. Mais uma vez obrigado.