sexta-feira, 4 de setembro de 2015

As portas do paraíso



Paulo Portas diz que a proposta de plafonamento da Segurança Social da coligação Portugal à Frente é "moderadíssima". Quando se quer abrir uma porta difícil, é sempre assim. Põe-se chave à fechadura, dá-se a volta a quem assiste e abre-se a porta apenas um pouquinho. Depois já nem é preciso chave, é dar-lhe um encontrão e a porta escancara-se. Seria óptimo que o esforço deste porteiro abrisse era a porta do debate que não está a acontecer sobre o que o centrão tem planeado para a Segurança Social. Quem estiver disposto a dar o seu voto à coligação deveria ter consciência que o plafonamento proposto a descapitaliza na medida do alívio mais ou menos moderado que irá proporcionar apenas àqueles que auferem rendimentos maiores, sobrecarregando os restantes se se quiser assegurar o mesmo nível de protecção na velhice no futuro, e permitindo a esses mais afortunados direccionarem para a sua própria reforma o que antes pagava a reforma de todos. E seria importante que quem está disposto a confiar o seu voto ao PS tivesse consciência de que irá viabilizar trajecto que apenas difere do anterior na porta escolhida para iniciar o assalto. A fórmula escolhida pelo PS para aumentar o consumo sem sacrificar os Belmiros que com eles no poder poderão continuar a enriquecer pagando salários de miséria também descapitaliza a Segurança Social e também permite àqueles que auferem rendimentos mais elevados canalizarem para a sua própria reforma o que antes se destinava a pagar a reforma de todos: ao contrário de todos os que vivem cada mês a contar todos os tostões, para os quais cada euro a mais será consumido integralmente, a partir de certo nível de rendimento e de forma crescente começa a haver capacidade de poupança, poupança essa que aumentará com a redução do desconto para a Segurança Social, poupança essa que garantirá a própria velhice, e apenas a própria. A direita assumida e a direita canhota adoram as trocas de acusações. Os comentadores de serviço depois encarregam-se de fazer com que seja impossível para a esmagadora maioria vislumbrar mais do que meio palmo do futuro radioso que o centrão vai cozinhando diante dos seus narizes.

1 comentário:

fb disse...

Quando se quer abrir uma porta difícil, é sempre assim. Põe-se chave à fechadura, dá-se a volta a quem assiste e abre-se a porta apenas um pouquinho. Depois já nem é preciso chave, é dar-lhe um encontrão e a porta escancara-se.