sábado, 29 de agosto de 2015

Oferta do dia: um par de óculos


Bom, não são bem óculos mas também servem para ver melhor a coisa. E há muita gente necessitada. Aos senhores e às senhoras que defendem uma resposta musculada que afaste o problema da vaga de refugiados para bem longe porque "se aqui já não há para nós,  quanto mais também para eles" gostaria de os recordar apenas de uma coisinha. Nos últimos dois anos entraram no espaço europeu cerca de 500 mil refugiados. E 500 mil foi também o número aproximado de refugiados das ex-colónias que chegou a Portugal em 1975. Portugal, um rectangulozinho minúsculo situado num canto da imensidão europeia, mesmo saído de uma revolução, com todas as implicações organizacionais e orçamentais que o processo teve, com todos os aspectos vergonhosos que sempre estiveram presentes, também é verdade,foi capaz de garantir transporte em segurança e de acomodar esse meio milhão em apenas um ano e não em dois. A grande Europa, um espaço mais de 50 vezes maior e com um múltiplo ainda maior dos recursos que não tínhamos em 1975, reage como sempre reage quando há um problema, não reagindo. Enquanto as migalhas nos bastarem, sempre será muito mais fácil porem-nos à estalada pela nossa migalhinha, dar músculo às vozes que se levantam contra os imigrantes e guardar o que há – e sabemos que há sempre e muito – no mega celeiro da hiper-panificação para quando se descobrirem mais calotes dos nossos amigos banqueiros. Podia não ser assim.

1 comentário:

fb disse...


Bom, não são bem óculos. Aos senhores e às senhoras que defendem uma resposta musculada que afaste o problema da vaga de refugiados para bem longe porque "se aqui já não há para nós, quanto mais também para eles" gostaria de os recordar apenas de uma coisinha. Nos últimos dois anos entraram no espaço europeu cerca de 500 mil refugiados. E 500 mil foi também o número aproximado de refugiados das ex-colónias que chegou a Portugal em 1975. Portugal, um rectangulozinho minúsculo situado num canto da imensidão europeia, mesmo saída de uma revolução, com todas as implicações organizacionais e orçamentais que o processo teve, com todos os aspectos vergonhosos que sempre estiveram presentes, também é verdade,foi capaz de garantir transporte em segurança e de acomodar esse meio milhão em apenas um ano e não em dois. A grande Europa, um espaço mais de 50 vezes maior e com um múltiplo ainda maior dos recursos que não tínhamos em 1975, reage como sempre reage quando há um problema, não reagindo. Enquanto as migalhas nos bastarem, sempre será muito mais fácil porem-nos à estalada pela nossa migalhinha, dar músculo às vozes que se levantam contra os imigrantes e guardar o que há – e sabemos que há sempre e muito – no celeiro da panificação para quando se descobrirem mais calotes dos nossos amigos banqueiros. Podia não ser assim.