segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Nós e o euro: ou nós ou o euro


Em 2011, ano em que a ignorância de muitos trabalhadores do privado os convidou a festejarem os cortes salariais que, primeiro Sócrates, logo a seguir Passos Coelho, aplicaram aos seus colegas do público, por cada 1000 trabalhadores empregados havia 113 que auferiam o salário mínimo. Passados 4 anos, soube-se hoje, em vez de 113 existem 196 trabalhadores em cada 1000 – mais 345 mil em termos absolutos, um crescimento de 73% – que não levam para casa ao final do mês mais do que esse mínimo, hoje ainda mais mínimo devido à inflação. A ignorância, exactamente a mesma mas vestida de funcionário público a desforrar-se da festa de 2011, poderá agora tentar-se a rejubilar com as perdas salariais dos colegas do privado. Seria interessante ver a esquerda que o é e os sindicatos que o são – cuidado com as imitações – unidos no combate a esta ignorância galhofeira. Seria importante que aqueles que deitaram foguetes há quatro anos percebessem que o que festejaram em 2011 foram os cortes salariais que lhes bateram à porta logo a seguir. Seria importantíssimo que os que hoje se sintam com vontade de festejar não terem sofrido nenhum corte salarial durante estes quatro anos percebessem que não irão receber as reformas para as quais trabalharão a vida inteira porque os descontos que as pagam se irão reduzindo na mesma proporção da massa salarial que os gera. E seria fundamental que todos percebessem que a permanência no euro está e continuará a ser paga exclusivamente por quem vive do seu trabalho. Partidos e sindicatos que não consigam explicar aos portugueses que o desemprego que tem convencido cada vez mais gente a trabalhar recebendo salários que antes rejeitavam tem sido fomentado deliberadamente pelos últimos Governos são partidos e são sindicatos que se conformam com o que também eles, mais berro, menos boca, estão a deixar que aconteça diante dos nossos narizes.

1 comentário:

fb disse...

Passados 4 anos, soube-se hoje, em vez de 113 existem 196 trabalhadores em cada 1000 – ,mais 345 mil em termos absolutos, um crescimento de 73% –que não levam para casa ao final do mês mais do que esse mínimo, hoje ainda mais mínimo devido à inflação. A ignorância, exactamente a mesma mas vestida de funcionário público a desforrar-se da festa de 2011, poderá agora tentar-se a rejubilar com as perdas salariais dos colegas do privado. Seria interessante ver a esquerda que o é e os sindicatos que o são – cuidado com as imitações – unidos no combate a esta ignorância galhofeira. Seria importante que aqueles que deitaram foguetes há quatro anos percebessem que o que festejaram em 2011 foram os cortes salariais que lhes bateram à porta logo a seguir. Seria importantíssimo que os que hoje se sintam com vontade de festejar não terem sofrido nenhum corte salarial durante estes quatro anos percebessem que não irão receber as reformas para as quais trabalharão a vida inteira porque os descontos que as pagam se irão reduzindo na mesma proporção da massa salarial que os gera. E seria fundamental que todos percebessem que a permanência no euro está e continuará a ser paga exclusivamente por quem vive do seu trabalho. Partidos e sindicatos que não consigam explicar aos portugueses que o desemprego que tem convencido cada vez mais gente a trabalhar recebendo salários que antes rejeitavam tem sido fomentado deliberadamente pelos últimos Governos são partidos e são sindicatos que se conformam com o que também eles, mais berro, menos boca, estão a deixar que aconteça diante dos nossos narizes.