quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Lições gregas, continuação: a inevitável demissão





O que é que resta a um Governo eleito com um programa anti-austeridade que, depois de ver renovada a confiança do seu eleitorado com uma vitória esmagadora em referendo, se verga e entrega o povo que lhe confiou o poder à voracidade austeritária de um ocupante externo? Se estivermos a falar de um Governo de bandidos, desses muitos que não hesitam em queimar o último pingo de dignidade agarrando-se ao poder, restar-lhe-á convocar o seu exército de comentadores e incumbi-lo da tarefa de convencer as suas plateias das vantagens desse Governo se manter em funções com xaropadas de "governabilidade" misturadas com cenários de terror. Mas se estivermos a falar de uma espécie de políticos a que nos desabituámos por cairmos nesses contos, ou se o Governo em causa não tiver exército de comentadores, ou se o partido que apoia esse Governo se dividir em dois, envergonhados para um lado e desavergonhados para o outro,  resta-lhe uma de duas opções: ou demitir-se ou ser demitido. Alexis Tsipras escolheu a menos indigna das duas e acaba de anunciar a sua demissão. Os gregos serão novamente chamados a escolher os seus representantes na Casa da sua Democracia daqui a um mês. Um mês é também o tempo que a subdivisão do Syriza que demonstrou ser digna de confiança tem para se organizar e apresentar-se a votos com um programa capaz de voltar a mobilizar aqueles que ainda não desistiram de exercer o seu direito de exigir que lhes devolvam as suas vidas. É muito pouco tempo. Tsipras, em alta nas sondagens, tem o tempo a trabalhar para si.

2 comentários:

fb disse...

Alexis Tsipras escolheu a menos indigna das duas e acaba de anunciar a sua demissão. Os gregos serão novamente chamados a escolher os seus representantes na Casa da sua Democracia daqui a um mês. Um mês é também o tempo que a subdivisão do Syriza que demonstrou ser digna da sua total confiança tem para se organizar e apresentar-se a votos com um programa capaz de voltar a mobilizar aqueles que ainda não desistiram de exercer o seu direito de exigir que lhes devolvam as suas vidas. É muito pouco tempo. Tsipras, em alta nas sondagens, tem o tempo a trabalhar para si.

JOSÉ LUIZ FERREIRA disse...

Aguardo com enorme curiosidade o novo programa do Syriza. E caso haja dois Syrizas na corrida, aguardo com curiosidade ainda maior a oportunidade de comparar os dois programas.