terça-feira, 21 de julho de 2015

Euro: uma saída à francesa


Depois da humilhação que os partidários do sim concertaram com os radicais do nim para punirem exemplarmente o povo que ousou usar a democracia para os enfrentar com um gigantesco NÃO, ainda resta por aí alguém convencido de que, tal como se esforçam para nos fazer crer os nossos europeísmos convictos, andamos a fazer sacrifícios para alguma coisinha que valha a pena? Se não retiraram qualquer conclusão da série  interminável de revelações da responsabilidade daquele que, por mais rica que seja a argumentação dos apanhados, é o órgão fiscalizador deste que juram ser um país muito diferente da Grécia, de contas públicas falsificadas em mais de 11 mil milhões de euros para esconder que a despesa continua em derrapagem apesar de todos os cortes na vida de tantas pessoas, de uso ilegítimo de descontos da ADSE para outros fins que não o da saúde de quem os realiza e de toda a espécie de proveitos ilícitos – na linha da tradição herdada dos Governos anteriores – nas vendas ao desbarato de património que deixou de ser de todos os que o construímos para fazer engordar a classe de rendeiros do país, ou se estes últimos quatro anos os empurram para um projecto ainda mais "arrojado" na liberdade que dá aos patrões de despedirem sem justa causa nem indemnização, que nos põe a consumir no presente o dinheiro das nossas reformas futuras, as notícias que nos chegam da Europa dão-nos mais um sinal sobre a justa recompensa que o melhor povo do mundo fez por merecer ao longo da década e meia que dura a aventura do euro: Hollande propõe que o euro tenha um núcleo duro composto por apenas seis países com direito  a decidirem e, 19-6=13, treze colónias com direito a obedecerem-lhes. Começam finalmente a assumir que o euro não é para todos, e objectivamente não é, e que consideram que há países de primeira e países de segunda, cabendo aos de primeira decidir sobre como é que os de segunda os farão enriquecer, a assunção do que já acontece apesar de ser o contrário da solidariedade sobre a qual assenta todo o projecto europeu. A proposta de Hollande é mais um sinal de que este euro e de que esta Europa que apenas nos aceita se empobrecermos para enriquecer quem eles mandam já começou a implodir. Com sondagens que dão uma tão confortável maioria ao arco que se acotovela na disputa do poder de lhes obedecer e atestam a desorganização de uma esquerda incapaz de mobilizar um NÃO que necessita de intérpretes que entusiasmem, são muito boas notícias. Se sair do euro nestas condições, por vontade própria, é praticamente impossível, a saída de um euro que deixe de existir será mais do que obrigatória... A menos que, por vontade do nosso centrão, ao euro aconteça o mesmo que ao acordo ortográfico.

2 comentários:

fb disse...

Hollande propõe que o euro tenha um núcleo duro composto por apenas seis países com direito a decidirem e, 19-6=13, treze colónias com direito a obedecerem-lhes. Começam finalmente a assumir que o euro não é para todos, e objectivamente não é, e que consideram que há países de primeira e países de segunda, cabendo aos de primeira decidir sobre como é que os de segunda os farão enriquecer, a assunção do que já acontece apesar de ser o contrário da solidariedade sobre a qual assenta todo o projecto europeu. A proposta de Hollande é mais um sinal de que este euro e de que esta Europa que apenas nos aceita se empobrecermos para enriquecer quem eles mandam já começou a implodir. Com sondagens que dão uma tão confortável maioria ao arco que se acotovela na disputa do poder de lhes obedecer e atestam a desorganização de uma esquerda incapaz de mobilizar um NÃO que necessita de intérpretes que entusiasmem, são muito boas notícias. Se sair do euro nestas condições, por vontade própria, é praticamente impossível, a saída de um euro que deixe de existir será mais do que obrigatória... A menos que, por vontade do nosso centrão, ao euro aconteça o mesmo que ao acordo ortográfico.

Relva disse...

Não emplode não, apesar do desejo de muitos, está é a corrigir. Solidariedade é perdões é o que a grecia tem e teve.