segunda-feira, 6 de julho de 2015

A ressaca grega


Ontem uma bebedeira de democracia, hoje a ressaca. Os comentadores do regime dividiram-se nas reacções, umas mais cautelosas, outras mais raivosas, a maioria ainda mais imaginativa do que é costume, o Não grego deixou-os mesmo a nadar, ainda mais porque os patrões da Europa hoje perderam o pio e os contadores de histórias ficaram sem nada a que agarrar-se.

No arco do sim, cautelas e pele de galinha. Pedro Passos Coelho optou por dar-se uma imagem de serenidade, afinal parece que ontem não aconteceu nada e o euro está aí para lavar e durar. António Costa entreteve-se a tentar justificar a posição que mais uma vez não tomou   e a descolar-se das vergonhas socialistas que os seus camaradas por essa Europa fora nos serviram ao longo da última semana. E Paulo Portas jurou que irá repetir quantas vezes for preciso que Portugal não é a Grécia e, confirmação de que não tinha mesmo nada para dizer, aproveitou para insinuar que António Costa só não apoiou o Não por qualquer coisa ali algures entre a timidez e a irresponsabilidade que caracteriza qualquer homem de esquerda. Ainda há quem o considere de esquerda. Costa devia ter agradecido mas não o fez.

Finalmente, do lado do não, muita comoção, alguma contenção verbal por parte de Jerónimo de Sousa a certificar o embaraço causado por mais uma atitude a todos os títulos deplorável de um KEE que não quis juntar-se ao não ao terrorismo financeiro, muitas vivas à coragem e à dignidade do povo grego, mas pouco mais. Decepcionou-me constatar mais uma oportunidade perdida. Podiam ter aproveitado para, à boleia da vitória da democracia na Grécia, trabalharem juntos sobre o efeito de contágio que aquele rotundo não teria se, por exemplo,  lançassem a ideia de um referendo que perguntasse aos portugueses se aceitam continuar a ser espremidos durante as próximas duas ou três décadas para pagar uma dívida gerada por uma regra que, ao proibir que o BCE ceda liquidez directamente aos estados como exigem os alemães, nos põe a pagar juros milionários a intermediários financeiros que sem essa regra   perderiam o direito aos milhares de milhão que lhes garantimos anualmente. Não o fizeram.

Sinceramente, gostava que nas próximas eleições pudesse confiar o meu voto a um partido que fosse bastante mais do que apenas o menos mauzito de todos e de não me sentir obrigado a fazê-lo porque não votar é o favor que não quero fazer aos três que nos puseram neste buraco. Gostava de poder celebrar vitórias nossas em vez de comemorar as vitórias dos outros. Fico muito contente com o que têm conseguido o Syriza e o Podemos na Grécia e em Espanha. Mas eu sou português...

4 comentários:

fb disse...

Sinceramente, gostava que nas próximas eleições pudesse confiar o meu voto a um partido que fosse bastante mais do que apenas o menos mauzito de todos e de não me sentir obrigado a fazê-lo porque não votar é o favor que não quero fazer aos três que nos puseram neste buraco. Gostava de poder celebrar vitórias nossas em vez de comemorar as vitórias dos outros. Fico muito contente com o que têm conseguido o Syriza e o Podemos na Grécia e em Espanha. Mas eu sou português...

Anónimo disse...

Uma dúvida honesta: então eles não pagam, o FMI corta-lhes o financiamento, saem do EURO, e então? Quem lhes paga as contas? E depois as nossas? E depois a Europa?

Como se inventa dinheiro? Ou de repente desapareceu a "economia"?

Filipe Tourais disse...

Tem que rever esse seu conceito de "dinheiro". O "dinheiro" já não são só notas e moedas há muito tempo. Veja o plano de compra de dívidas do BCE. Compram dívida sem terem que ir buscar dinheiro ao cofre. O BCE faz "dinheiro". O Banco Central grego pode começar a fazer o mesmo, dracmas em vez de euros. Vai haver solavancos, muitos, mas a vida há-de continuar.

pvnam disse...

Os políticos americanos 'preocuparam-se' mais com a falência da Grécia do que com a falência da cidade de Detroit!
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A firmeza do contribuinte alemão, não cedendo à pressão vinda da imprensa marioneta da superclasse (alta finança - capital global), É FUNDAMENTAL PARA SALVAR A EUROPA!!!
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-> Depois de andar a 'cavar-buracos' um pouco por todo o lado (nas finanças públicas, na banca)... a superclasse (alta finança - capital global) quer pôr o contribuinte a tapar os buracos por si cavados (o banco goldman sach ganhou milhões com a ocultação da divida grega)!
-> Ora, de facto, depois de 'cozinhar' o caos..., a superclasse apareceu com um discurso, de certa forma, já esperado!... Um exemplo: a conversa do mega-financeiro George Soros: «é preciso um Ministério das Finanças europeu, com poder para decretar impostos e para emitir dívida».
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-> O discurso anti-austeridade que circula por aí... pressupõe a existência de alguém que vai pagar/suportar o deficit... e já existe um alvo escolhido: o contribuinte alemão!
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-> A superclasse pretende 'cozinhar' as condições que são do seu interesse:
- privatização de bens estratégicos: combustíveis... electricidade... água...
- caos financeiro...
- implosão de identidades autóctones...
- implosão das soberanias...
- forças militares e militarizadas mercenárias...
resumindo: estão a ser criadas as condições para uma Nova Ordem a seguir ao caos - uma Ordem Mercenária: um Neofeudalismo.
{uma nota: anda por aí muito político/(marioneta) cujo trabalhinho é 'cozinhar' as condições que são do interesse da superclasse}
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P.S.
Já há alguns anos que aqui o je vem divulgando Direitos que considera serem importantes:
1- O Direito à Sobrevivência de Identidades Autóctones : ver blog "http://separatismo--50--50.blogspot.com/".
2- O Direito à Monoparentalidade em Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas: ver blog "http://tabusexo.blogspot.com/".
3- O Direito ao Veto de quem Paga: ver blog "http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/".