sexta-feira, 5 de junho de 2015

Garantidamente


Ainda a refazer-se do número das “garantias” proporcionado pela dupla de aldrabões Irrevogável e Batatinha de anteontem, o país foi hoje novamente violentado com os números fabricados pelos doze apóstolos de Costa. Estamos em campanha, o que está a dar é “garantir”. Os primeiros garantem-se em tons de verde-ambiente e azul-mar,. Não vale a pena alargar-me em comentários sobre o valor de garantias dadas por quem passou quatro anos a mentir e a falhar, a desmantelar e a mentir, a vender e a mentir e a cortar e a mentir  a muito mais do que à constatação de que têm um descaramento do tamanho dos apoios incondicionais que lhes são dados pelos indefectíveis que os garantem, uns com votos, outros prescindindo de contrariá-los. Os segundos garantem-se em tons de rosa-tsu pintados em números. Também não me darei ao trabalho de comentá-los, o tamanho da lata  mede-se da mesma maneira, somando os fieis que incondicionalmente acreditam e multiplicando a soma obtida pela abstenção que transforma a sua fé em poder. O que sobressai deste festival de números em forma de leilão de promessas é o consenso sobre a manutenção da austeridade que tem empobrecido quase todos para enriquecer uma casta de protegidos que ambos querem continuar a garantir custe o que custar.

Os cavaleiros da austeridade redonda bem podem bombardear-nos com as suas contas mal amanhadas. Não há números capazes de esconder quem pretendem servir e de quem pretendem servir-se. É ver como preferem assaltar as reformas futuras de um sistema em ruptura reduzindo as contribuições para a Segurança Social  a devolver a quem trabalha a decência salarial   que com o PS no poder também continuará ao serviço da formação de grandes fortunas. Como preferem completar esse assalto reduzindo a TSU a quem emprega, tornando a borla tanto maior quanto maior seja o empregador, a criar condições para a redução da idade mínima a partir da qual os mais velhos podem ceder os seus postos de trabalho aos mais jovens sem sofrerem penalizações. Como também preferem transformar em dividendos de grandes empresas uma redução de impostos sobre lucros (IRC), outra borla tanto maior quanto maior a dimensão das empresas, a reduzir impostos sobre rendimentos do trabalho num dos países mais desiguais da Europa que ainda por cima tem uma das estruturas fiscais que mais beneficia lucros e mais sobrecarrega salários. Um país em agonia, uma economia a definhar, fortunas consensuais feitas de miséria consensual, presente e futura. As garantias oferecidas pelo arco a quem não se quiser garantir. Cuidado, eles voam.


Vagamente relacionado: "É bom que tenhamos a noção do que eram as propostas chumbadas pelo PSD e CDS, com a abstenção do PS: são propostas que visam impedir que os bancos vendam papel comercial do seu próprio grupo ou de partes interessadas. Não há nada de muito radical nisto, queremos proteger e garantir que não volta a acontecer o que aconteceu aos lesados do BES”, explicou a deputada bloquista Mariana Mortágua. A maioria parlamentar PSD/CDS-PP rejeitou esta sexta-feira a maior parte das propostas da oposição relacionadas com o controlo do sistema financeiro, viabilizando apenas a aprovação, na generalidade, de um projecto de lei do BE e outro do PS. Já os do PCP que diziam respeito à supervisão bancária, à recomposição de activos do Grupo Espírito santo e ao controlo público da banca, bem como todos os outros do BE, que incluíam normas para reforço das competências do Banco de Portugal e proibição dos pagamentos a entidades sediadas em 'off-shore' não cooperantes, foram chumbadas pela maioria. O PS pôde abster-se.

Ainda mais vagamente: João Rendeiro e restantes arguidos do caso Banco Privado Português (BPP), Salvador Fezas Vital e Paulo Guichard, foram esta sexta-feira absolvidos da acusação de burla qualificada.



2 comentários:

fb disse...

O que sobressai deste festival de números em forma de leilão de promessas é o consenso sobre a manutenção da austeridade que tem empobrecido quase todos para enriquecer uma casta de protegidos que ambos querem continuar a garantir custe o que custar.

Anónimo disse...

EU NUNCA GOSTEI DE MISTURAR POLITICA COM FUTEBOL MAS É UMA REALIDADE ,OS DESPEDIMENTOS SÃO TAL E QUAL COMO FOI DESPEDIDO O TREINADOR DO SPORTING UMA MENTIRA DO PRESIDENTE E UM DESPEDIMENTO POR JUSTA CAUSA ....E É ASSIM EM PORTUGAL NAS EMPRESAS E AFINS POR ESSA RAZÃO É QUE HÁ MILHARES DE DESEMPREGADOS NO PAÍS AJUDADOS POR AS LEIS QUE ESTE GOVERNO IMPOS QUE FACILITAM OS DESPEDIMENTOS POR JUSTA CAUSA E SEM DIREITO AO FUNDO DE DESEMPREGO DIMINUINDO ASSIM A TAL LISTA DE DESEMPREGADOS QUE TANTO ESTE DESGOVERNO APREGOA POIS SE NÃO TEM DIREITO A FUNDO DE DESEMPREGO NÃO ESTÃO INSCRITOS E SÃO MILHARES POR AÍ ,E AINDA POR CIMA SEM DIREITA A QUALQUER INDEMINIZAÇÃO ,É ASSIM ESTE PAÍS GOVERNADO POR MERCENARIOS POLITICOS QUE AJUDAM OS EMPRESARIOS RICOS SEM OLHAR PARA QUEM QUER TRABALHAR E DESCONTAR LEGALMENTE OS IMPOSTOS !!!