quarta-feira, 20 de maio de 2015

Crime organizado (continuação da continuação)


Como sabemos, quando um ladrão assalta uma casa e é apanhado, não lhe basta devolver o que roubou para seguir o curso da vida em liberdade. É julgado e a seguir vai para um lugar comummente chamado cadeia que serve para reabilitá-lo , para garantir à sociedade que não prosseguirá a sua actividade criminosa e para evitar que outros se convençam a seguir a mesma vocação. Vai muito bem, portanto. Já quando o crime é financeiro e os ladrões apanhados a meter a mão na massa se chamam JP Morgan, Citigroup, Barclays, Royal Bank of Scotland e UBS, nem mesmo quando o produto do roubo ascende a vários milhares de milhão , como voltou a acontecer, e nem mesmo havendo reincidência, e esta foi pelo menos a terceira vez que foram apanhados a roubar com "manipulações de mercado", há lugar a julgamento e muito menos se fala em prisão. O produto do roubo é calculado por estimativa, é-lhes aplicada uma multa nesse valor, multa essa impossível de utilizar para ressarcir todos os directamente lesados, que os indirectamente lesados e os danos colaterais nem sequer são calculados para não tornar a multa impagável. A seguir semeiam títulos nos jornais de todo o mundo a dizerem "maior multa de todos os tempos" ou qualquer coisa que convença quem leia que a Justiça funciona e que o Mercado é coisa séria. E é tudo. Ide em paz e os milhões vos acompanhem. A malta encontra-se por aí outra vez daqui a uns tempos. Beijos e abraços, obrigado por este bocadinho tão agradável.


Vagamente relacionado: O Banco de Portugal (BdP) assinou um contrato por ajuste directo com a TC Capital, uma empresa unipessoal com sede em Londres, que irá prestar assessoria na venda do Novo Banco. O contrato, no valor de 800 mil euros – a lei fixa como limite para o ajuste directo 75 mil euros, o contrato é ilegal, o regulador viola a lei e nada acontece –, foi assinado em Abril deste ano mas, noticia a TSF, o trabalho de assessoria começou em Outubro do ano passado e durará 10 meses. Segundo a TSF, a TC Capital pertence a Phillipe Sacerdot, antigo director-adjunto para a área da banca de investimento no UBS, onde se terá cruzado com António Varela, antigo representante do UBS em Portugal (entre 2000 e 2009) e que é vice-governador do BdP desde Setembro do ano passado.

1 comentário:

fb disse...

Já quando o crime é financeiro e os ladrões apanhados a meter a mão na massa se chamam JP Morgan, Citigroup, Barclays, Royal Bank of Scotland e UBS, nem mesmo quando o produto do roubo ascende a vários milhares de milhão , como voltou a acontecer, e nem mesmo havendo reincidência, e esta foi pelo menos a terceira vez que foram apanhados a meter a mão na massa com "manipulações de mercado", há lugar a julgamento e muito menos se fala em prisão. O produto do roubo é calculado por estimativa, é-lhes aplicada uma multa nesse valor, multa essa impossível de utilizar para ressarcir todos os directamente lesados, que os indirectamente lesados e os danos colaterais nem sequer são calculados para não tornar a multa impagável. A seguir semeiam títulos nos jornais de todo o mundo a dizerem "maior multa de todos os tempos" ou qualquer coisa que convença quem leia que a Justiça funciona e que o Mercado é coisa séria. E é tudo. Ide em paz e os milhões vos acompanhem. A malta encontra-se por aí outra vez daqui a uns tempos. Beijos e abraços, obrigado por este bocadinho tão agradável.