quarta-feira, 6 de maio de 2015

Não saímos disto



Eles pensam em tudo. Nada melhor do que uma biografia autorizada com pedido de demissão irrevogável por SMS para, atrás de uma cortina de tiradas de assinalável recorte técnico para consumo de massas, alertar as tropas para a necessidade de cerrar fileiras em torno da necessidade de fazer aquela coligação desaguar em nova diarreia de poder. Nada melhor do que um desvio de 0,1% nas previsões de um patrão da Europa que ameaça com a necessidade de medidas adicionais para, aceitando implicitamente aquela linha que conseguiram implantar no imaginário colectivo, acima  da qual mora o pecado e abaixo da qual está a virtude, pôr PS, PSD e CDS a convencerem-nos que são a melhor opção para lhe obedecer. Nada melhor do que uma notícia sobre os jeitinhos que foram dados ao PDM de Lisboa para render mais uns milhões aos donos disto tudo para demonstrar que o PSD é incomparavelmente mais sério do que o PS. E nada melhor do que o elogio público de Passos Coelho a Dias Loureiro para demonstrar como o PS é incomparavelmente melhor do que o PSD. E o que nos/lhes dizem as sondagens? Que façam o que fizerem, que aconteça o que acontecer, que por maiores que sejam as atrocidades que cometam  e que por mais vergonhosos que sejam os episódios que protagonizem, o poder não lhes vai fugir das mãos. Que nenhuma informação tem qualquer utilidade se quem a consumir não souber usá-la e agir em conformidade. E que o amanhã será sempre pior do que o hoje enquantouma massa amorfa de abstencionistas mais ou menos vociferantes continuar a permitir que três claques de outros tantos partidos garantam vida mansa a uma casta que se sente perfeitamente à vontade para pôr e dispor de tudo e de todos. Não me canso de repeti-lo: os políticos não caem do céu.

1 comentário:

fb disse...

O amanhã será sempre pior do que o hoje enquantouma massa amorfa de abstencionistas mais ou menos vociferantes continuar a permitir que três claques de outros tantos partidos garantam vida mansa a uma casta que se sente perfeitamente à vontade para pôr e dispor de tudo e de todos. Não me canso de repeti-lo: os políticos não caem do céu.