As ligações entre os cargos
políticos e a banca são um dos problemas de Portugal apontados pela ONG
Transparency Internacional no seu mais recente estudo Lobbying
in Europe. Desde o 25 de Abril, mais de metade – 54% – de todos os membros
do Governo trabalharam no sector financeiro. E dos últimos 19 ministros das
Finanças, quase três quartos – 14 – fizeram carreira neste sector ou em
instituições financeiras. Este último dado tem o seu quê de curioso: 14 em 19 são
73,68%. E 73,68% está numa vizinhança muito próxima dos 73,4% de intenções de voto
nos três partidos que já integraram Governos da última sondagem da Aximage.
Temos, portanto, as organizações internacionais a alertarem os portugueses para
a captura dos seus três partidos preferidos por interesses económicos opacos e os
portugueses a responderem às organizações internacionais que isto é mesmo assim.
E que ai de nós se não fosse.
Vagamente relacionado: Dos 230
deputados à Assembleia da República, 117 estão em regime de part-time,
acumulando as funções parlamentares com outras actividades profissionais no sector
privado. Todos eles pertencem ou ao PSD, ou ao PS ou ao CDS. Advogados,
juristas, médicos, engenheiros, consultores, empresários, etc. Em diversos casos,
prestando serviços remunerados a empresas que operam em sectores de actividade
fiscalizados por comissões parlamentares que os mesmos deputados integram. Ao
que se acrescem as ligações a empresas (cargos de administração, participações
accionistas, serviços de consultoria, etc.) que beneficiam de iniciativas
legislativas, subsídios públicos ou contratos adjudicados por entidades
públicas visando a execução de obras, o fornecimento de produtos ou a prestação
de serviços. Conflitos de interesses? Dezenas de exemplos concretos são
apresentados nas páginas deste livro, “Os
privilegiados”, de Gustavo Sampaio. Dos corredores do poder político para
as salas de reunião dos conselhos de administração, e demais órgãos sociais,
das maiores empresas portuguesas, com ou sem período de nojo. Um fluxo recorrente
entre cargos públicos e privados. Das 20 empresas cotadas no índice PSI 20, por
exemplo, 16 contam com ex-políticos em cargos de administração. Por vezes são
ex-governantes que decidiram sobre matérias que implicam as empresas para as
quais vão depois trabalhar, ou até administrar.


1 comentário:
Desde o 25 de Abril, mais de metade – 54% – de todos os membros do Governo trabalharam no sector financeiro. E dos últimos 19 ministros das Finanças, quase três quartos – 14 – fizeram carreira neste sector ou em instituições financeiras. Este último dado tem o seu quê de curioso: 14 em 19 são 73,68%. E 73,68% está numa vizinhança muito próxima dos 73,4% de intenções de voto nos três partidos que já integraram Governos da última sondagem da Aximage. Temos, portanto, as organizações internacionais a alertarem os portugueses para a captura dos seus três partidos preferidos por interesses económicos opacos e os portugueses a responderem às organizações internacionais que isto é mesmo assim. E que ai de nós se não fosse.
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