quinta-feira, 16 de abril de 2015

O programa SUGA



Um engenheiro mecânico que aceite a oferta para a zona de Anadia publicada no site do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) no âmbito do programa Estímulo Emprego, que financia empresas para contratar desempregados, irá ganhar 515 euros mensais ilíquidos. Mas se esta oferta para um licenciado em engenharia ainda está dez euros acima do salário mínimo, as ofertas para professores do ensino básico, secundário e profissional não vão além dos 505 euros, que é o máximo que as sanguessugas que querem receber este apoio do estado estão dispostos a pagar. Os nossos impostos andam a servir para subsidiar a exploração do trabalho. Andamos a trabalhar para enriquecer parasitas.




Vagamente relacionado: «De que forma é que uma economia semi-periférica, inserida num espaço cambial e monetário em que a generalidade dos restantes membros têm estruturas produtivas mais sofisticadas, poderá evitar acumular desequilíbrios externos cada vez maiores e, desejavelmente, tornar a sua própria estrutura produtiva mais complexa e sofisticada ao longo do tempo?
Acrescento três notas para melhor ilustrar o problema assim formulado. Primeiro, a evidência empírica do carácter semi-periférico da economia portuguesa, particularmente quando comparado com os restantes membros da zona Euro. De entre os vários exercícios comparativos de caracterização da sofisticação e complexidade das estruturas produtivas disponíveis, olhemos, por exemplo, para o ranking elaborado pelo Observatório da Complexidade Económica do MIT , que em 2012 (último ano disponível) colocava Portugal na 37ª posição - ao mesmo tempo que colocava todos os restantes membros da zona Euro, com excepção da Grécia (44º), em posições mais elevadas, no sentido de que as suas exportações são constituídas por produtos mais complexos, mais diferenciados e mais capazes de enfrentarem com sucesso a concorrência internacional.
Em segundo lugar, porque é que isto importa. Importa, obviamente, porque este é um indicador fundamental da robustez e profundidade do desenvolvimento económico. Mas importa também, no contexto específico da zona Euro, porque, como mostraram Felipe e Kumar num artigo de leitura obrigatória , a forma como a crise da zona Euro afectou de formas diferenciadas - na verdade, simétricas - os diferentes membros da zona Euro remonta, em última instância, às estruturas produtivas desses mesmos Estados membros na situação de partida. Portugal, Espanha, Grécia, Chipre têm os mais graves problemas de dívida pública porque têm os mais graves problemas de dívida externa - e acumularam os mais graves problemas de dívida externa porque aderiram a um espaço monetário e cambial comum tendo as estruturas produtivas mais frágeis de entre todos os participantes no grupo. Neste contexto, "centro" e "periferia" não são conceitos meramente geográficos - referem-se à sofisticação e robustez das estruturas produtivas.
E a terceira nota é de preocupação relativamente à forma como, a este nível, continuamos a cavar o buraco do nosso próprio subdesenvolvimento. Ignorando, ou fingindo ignorar, tudo o que se sabe sobre como promover a sofisticação incremental das estruturas produtivas - por outras palavras, o desenvolvimento económico -, o governo português (e não só) continua insistentemente a apostar na redução dos custos, particularmente do trabalho, como o alfa e o ómega da sua estratégia de promoção da competitividade. Não por acaso, esta é (do seu ponto de vista) uma estratégia funcional ao nível da partilha do bolo, da luta de classes interna, pois permite desequilibrar a distribuição funcional do rendimento em favor do capital e em detrimento do trabalho. Mas como estratégia de desenvolvimento é, mais do que insuficiente, disfuncional - e nesse sentido é a prazo um tiro no pé das próprias elites nacionais. Veja-se por onde anda o investimento, que nem chega a ser suficiente para repor a capacidade produtiva que vai obsolescendo. Veja-se como nos últimos anos o nível de intensidade tecnológica das exportações portuguesas se tem reduzido a olhos vistos . O desenvolvimento económico é um processo dinâmico e incremental, assente na aprendizagem colectiva e na diversificação dos processos produtivos no sentido da complexidade e da sofisticação crescentes - não é um processo de embaratecimento do trabalho e de esvaziamento da coordenação pública.
Decididamente, perdoe-se a arrogância, mas percebem muito pouco de economia .» – Alexandre Abreu.




1 comentário:

fb disse...

As ofertas para professores do ensino básico, secundário e profissional não vão além dos 505 euros, que é o máximo que os parasitas que querem receber este apoio do estado estão dispostos a pagar. Os nossos impostos andam a servir para subsidiar a exploração do trabalho. Andamos a trabalhar para enriquecer parasitas.