quarta-feira, 22 de abril de 2015

O Costa porta-se "bem"


Mau demais para ser de esquerda é o mínimo que se pode dizer daquela espécie de cenário macroeconómico que o PS ontem apresentou. E mau demais para ser digno de confiança é o mínimo que se pode dizer de um líder partidário que apresenta publicamente um documento para, acto contínuo, dele se distanciar. Quem sabe se não foi vergonha. António Costa sabe que imediatamente se percebe de onde é que vem o sustento da sua aposta no consumo, estamos de acordo, necessário para impulsionar o crescimento económico e a criação de emprego. Vem das reformas futuras dos portugueses e de aumentos ainda mais rápidos da idade mínima para a aposentação, não de qualquer coisita que se aventurasse a retirar aos que enriqueceram como nunca nestes últimos anos e que quisesse devolver aos que empobreceram para os enriquecer. Pelo contrário, na amálgama ontem apresentada encontramos, entre outras, a mesma redução da TSU proposta pelo actual Governo, a subsidiação da manutenção do salário mínimo de miséria que o PS congelou em 2010 e ainda mais flexibilização laboral, não tivesse a coisa sido encomendada a uma equipa liderada por alguém como o ultraliberal Mário Centeno, autor de propostas como o “contrato único” da precariedade máxima para todos. Mas António Costa sente-se acossado por sondagens que colocam o PS no mesmo desconforto que gerou o descontentamento que depôs António José Seguro e vê-se obrigado a, sem nunca dizer que vai fazê-lo, acenar com a possibilidade de a sobretaxa de IRS e os cortes salariais na função pública poderem vir a ser suprimidos em metade do tempo proposto por PSD e CDS. Uma das poucas certezas deixadas ontem é a de que acabar com o roubo que o Tribunal Constitucional deixará de tolerar a partir de 2016 é uma ideia demasiado radical para este PS de Costa. A senhora Merkel pode ficar descansada. A reposição de salários e da sobretaxa que trata ricos e pobres em pé de igualdade também não serão motivos para lhe dar com a porta no nariz em Bruxelas. O Costa porta-se "bem".


Vagamente relacionado: “(…)Será que podemos fazer o que ainda não foi feito? Certamente, mas não do modo que o Governo e o PS prometem. Não num país com uma das maiores dívidas externas do mundo e com uma dívida pública que consome ao orçamento 9 mil milhões de euros anuais. Uma reestruturação, essa sim inteligente, da dívida permitiria aliviar a restrição orçamental não só para repor salários e pensões, mas para recuperar a administração pública da sangria de trabalhadores a que tem sido sujeita, estimular o investimento público e privado e criar emprego. A reestruturação permitiria respirar e crescer e até garantir um orçamento suficiente (isto é, não dependente do financiamento externo). Mas para isso era preciso um governo que não se limitasse a ir a Bruxelas, como o Governo tem feito e como o PS agora parece querer fazer, de braços caídos, conformado com o que parece ser uma armadilha de betão.” (José M. Castro Caldas)

Ainda mais vagamente: "(...) Em linha com a especialidade do PS desde a paradigmática reforma de 2007 - o corte de pensões futuras, promovendo os mercados financeiros -, a descida da TSU para os trabalhadores é paga pelos próprios, já que o PS propõe um alívio temporário compensado por cortes nas pensões futuras. De forma reveladora, o PS embrulha este aumento míope do rendimento na retórica da "liberdade de escolha", com impactos mais do que duvidosos na dinamização do mercado interno. A redução da TSU paga pelas empresas, por sua vez, é a grande vitória de Passos, já que o PS reconhece implicitamente as virtudes do incentivo da desvalorização interna. Entretanto, o PS diz estar preocupado com a "sustentabilidade" da segurança social. Reduzir as contribuições nunca ajuda. Ao mesmo tempo, dá para o sempre revelador peditório demográfico, acenando no fundo com formas ditas complementares, de mercado, para pensões cada vez mais inseguras. A "visão de mercado" das relações laborais manifesta-se também na aposta numa concreta liberalização furtiva dos despedimentos individuais, do género despeça já e espere que o trabalhador proteste em tribunal muito depois, que hipocritamente garante não aumentar o poder patronal. Em troca, oferece vagos acenos com a limitação dos contratos a prazo rumo à distopia do contrato único. Sobre a negociação colectiva pouco ou nada, ou seja, o mesmo dos últimos anos. O diagnóstico para esta prescrição é retintamente neoliberal, colocando trabalhadores contra trabalhadores em nome de uma suposta segmentação que é o alfa e ómega da desigualdade neste campo para Mário Centeno e para o PS (e não a real e cada vez mais profunda assimetria entre trabalhadores e patrões). (...)" (João Rodrigues)
Um pouco mais ainda: “(…)Os funcionários públicos esperavam as 35 horas? Nada. Esperavam a devolução dos dias de férias? Nada. Esperavam a restituição do valor do salário? As decisões do Tribunal Constitucional não são cumpridas, o PS limita-se a propor uma restituição em dois anos, ao contrário dos quatro do PSD e CDS. Os desempregados esperavam a reconstituição das indemnizações por despedimento ou dos valores dos subsídios de desemprego? Não pense nisso. Os trabalhadores esperavam os feriados de volta? Nada. Os reformados esperavam o seu nível de pensão reposto? A decisão do Tribunal Constitucional não é cumprida, esperem dois anos. Os cidadãos esperavam a rejeição da privatização da TAP? Nada, até são prometidas mais privatizações, embora o PS se tenha dispensado de nos dizer quais. )…)” (Francisco Louçã)
E nada a ver com: "(...) Em suma, governo e PS estão a alimentar uma fantasia: ou a austeridade terá de ser reforçada para que se cumpram as metas orçamentais, o que implica que o crescimento será inferior ao que nos prometem ou o próximo governo procurará evitar que a política orçamental constitua um entrave à recuperação da economia e do emprego, mas para isso terá de abdicar de cumprir o Tratado Orçamental. Assim, seria bom que PSD, CDS e PS respondessem com clareza a uma questão: se após as eleições tiverem de escolher entre a criação de emprego e o cumprimento do Tratado Orçamental, como tudo indica que acontecerá, qual será a vossa escolha?" (Ricardo Paes Mamede)

2 comentários:

fb disse...

A senhora Merkel pode ficar descansada. A reposição de salários e da sobretaxa que trata ricos e pobres em pé de igualdade também não serão motivos para lhe dar com a porta no nariz em Bruxelas. O Costa porta-se “bem”.

Anónimo disse...

ESTES SÃO OS VENDILHOES
QUE GOVERNAM O PAÍS
TROCAM VIDAS POR MILHÕES
O POVO ASSIM QUIS

COM MENTIRAS E PROMESSAS
O POVO FOI ENGANADO
POR FAZEREM COISAS DESSAS
O POVO ESTÁ DESGRAÇADO

O POVO ESTÁ REVOLTADO
COM TODA ESTA MALDADE
O PAÍS FOI INSULTADO
E PERDEU A DIGNIDADE

ELES ESTÃO DE PARTIDA
MESMO ASSIM TARDIAMNETE
DEIXARAM A PATRIA FERIDA
É PRECISO MUDAR URGENTE

E AINDA OS OUTROS ACUSAM
MAS JÁ É COISA MESQUINHA
DE TODA A MAFIA QUE USAM
HÁ SEMPRE UMA FRESQUINHA

EMPOBRECERAM QUEM É DO POVO
E DERAM A QUEM JÁ O TINHA
ANUNCIAM CORTES DE NOVO
FAZ DA GENTE MALUQUINHA

ESTES SENHORES DE DIREITO
AINDA GOZAM COM A GENTE
JÁ PERDERAM O RESPEITO
A QUEM OS PÔS COMO GERENTE

ESTE PAÍS VENDIDO
COM A DIVIDA A SUBIR
AGORA FICOU DESTRUIDO
ELES TÊM QUE ADMITIR

EU DIGO AO POVO TODO
QUE NÃO VOTEM NESTA GENTE
PUSERAM PORTUGAL NO LODO
MUDAR É MUITO URGENTE

AGORA VOU ACABAR
COM UMA IDEIA JÁ FEITA
QUANDO FOREM VOTAR
EVITEM A DIREITA

POR
um poeta desconhecido