segunda-feira, 20 de abril de 2015

Marcelo, o favorito


Há muita gente que segue religiosamente os comentários semanais de Marcelo Rebelo de Sousa aos Domingos à noite na TVI. Há muita gente que, por não conhecer outras opiniões que não têm o mesmo direito a tempo de antena, colocam Marcelo nos píncaros da honestidade, isenção, até mesmo verdade, critério estranho tratando-se de opinião. E há muita gente que está disposta a ajudar a transformar a eleição do próximo Presidente da República na consagração do seu comentador de eleição. Na eucaristia de ontem, Marcelo comentou a greve convocada por dez dias pelos pilotos da TAP. Está contra. Sou dos muitos que já sabiam que estaria contra mesmo antes de o ouvir dizê-lo. Marcelo pertence àquela casta de ideologicamente “neutros” que, embora – dizem eles – respeitem o direito à greve, por ser à Sexta, por ser à Segunda, por haver muitos desempregados que dariam tudo para ter um emprego ou por haver muitos mortos que dariam o seu caixão e mais um par de lápides para voltarem à vida, para eles as greves nunca têm razão de ser. A ordem natural do mundo destes “neutros” é os grandes enriquecerem oprimindo e os pequenos empobrecerem a deixar-se oprimir. Não admira, pois, que as razões que apontou para estar contra esta greve o retratem tão bem. Alguém que respeita o direito à greve, qualquer comentador de trazer por casa, um putativo candidato à Presidência da República tem a obrigação de saber que se convocam greves para reclamar aumentos salariais, melhores condições de trabalho, para se defender a empresa onde se trabalha ou até o interesse nacional. Nunca, como esta greve absurda, e absurda precisamente por isto, como arma usada ilegitimamente por uma classe que exige a sua parte dos despojos de mais um assalto ao património público e dizer ao país que pode ser mais um negócio ruinoso para todos desde que para eles o não seja e os faça patrões. Marcelo podia tê-lo dito. Não disse. Contornou o uso abusivo do direito à greve resumindo a questão aos prejuízos causados a um negócio que será sempre péssimo e às eventuais retaliações que os pilotos possam sofrer no caso da TAP vir a ser reestruturada. O comentador isento vendeu como inevitável um negócio a evitar. O candidato a PR que fará esquecer Cavaco não vê prejuízos para o interesse nacional para além daqueles que venham a ser causados pela greve. Mas Marcelo há só um. No monopólio da opinião não há lugar para mais nenhum. As pessoas gostam. E no Domingo há mais.

1 comentário:

fb disse...

A ordem natural do mundo destes “neutros” é os grandes enriquecerem oprimindo e os pequenos empobrecerem a deixar-se oprimir. Não admira, pois, que as razões que apontou para estar contra esta greve o retratem tão bem. Alguém que respeita o direito à greve, qualquer comentador de trazer por casa, um putativo candidato à Presidência da República tem a obrigação de saber que se convocam greves para reclamar aumentos salariais, melhores condições de trabalho, para se defender a empresa onde se trabalha ou até o interesse nacional. Nunca, como esta greve absurda, e absurda precisamente por isto, como arma usada ilegitimamente por uma classe que exige a sua parte dos despojos de mais um assalto ao património público e diz que pode ser mais um negócio ruinoso para todos desde que para eles não seja e os faça patrões. Marcelo podia tê-lo dito. Não disse. Contornou o uso abusivo do direito à greve resumindo a questão aos prejuízos causados a um negócio que será sempre péssimo e às eventuais retaliações que os pilotos possam sofrer no caso da TAP vir a ser reestruturada. O comentador isento vendeu como inevitável um negócio a evitar. O candidato a PR que fará esquecer Cavaco não vê prejuízos para o interesse nacional para além daqueles que venham a ser causados pela greve. Mas Marcelo há só um. No monopólio da opinião não há lugar para mais nenhum. As pessoas gostam. No Domingo há mais.