terça-feira, 14 de abril de 2015

Lições gregas (continuação)


Poderá ser hoje, poderá ser amanhã, o jogo do gato e do rato a que temos assistido entre a Europa das austeridades e o Governo grego terminará a qualquer momento. O desfecho será aquele que ficou escrito quando o jogo começou, em finais de Fevereiro. Na altura escrevi que ambas as partes procurariam fazer a corda partir, e a corda partiria sempre, no momento mais apropriado para os propósitos de cada um. Alemães e alemãezinhos apostariam tudo em humilhar a Grécia com exigências e caprichos cada vez maiores. Aconteceu. Conseguiram mostrar aos europeus que esta Europa, longe de ser uma negociação permanente, é uma imposição constante. O Governo grego seria obrigado a ceder em muitos aspectos que comprometeriam os compromissos eleitorais assumidos e fariam erodir a sua base eleitoral. As cedências aconteceram para demonstrar que nem mesmo a austeridade “fofinha” que delas resultou pôs os Hollandes e os Costas da Europa “socialista” a expressar o mais mínimo apoio ao Governo grego. Mas a erosão da base eleitoral do Syriza não aconteceu. Pelo contrário, as sondagens dão-lhe a maioria absoluta que antes não tinha. Se o que a Europa do directório pretendia era uma vacina que evitasse contágios do efeito Syriza a países como Espanha e Portugal, com eleições marcadas para o final deste ano, fracassou. Se o que o Governo grego pretendia ao tentar de todas as formas possíveis e imaginárias honrar o compromisso eleitoral de tudo fazer para manter a Grécia no euro era cimentar a sua credibilidade para poder antecipar eleições e, agora sim, obter o mandato que não tinha para conduzir a saída do euro, pelo menos a avaliar pelas sondagens, triunfou. E a confirmar-se este triunfo, será um triunfo também para nós, portugueses. É o mesmo euro e é a mesma Europa que nos condenam enegrecendo-nos o presente e roubando-nos o futuro. Saibamos libertar-nos também.

1 comentário:

fb disse...

Conseguiram mostrar aos europeus que esta Europa, longe de ser uma negociação permanente, é uma imposição constante. O Governo grego seria obrigado a ceder em muitos aspectos que comprometeriam os compromissos eleitorais assumidos e fariam erodir a sua base eleitoral. As cedências aconteceram para demonstrar que nem mesmo a austeridade “fofinha” que delas resultou pôs os Hollandes e os Costas da Europa “socialista” a expressar o mais mínimo apoio ao Governo grego. Mas a erosão da base eleitoral do Syriza não aconteceu. Pelo contrário, as sondagens dão-lhe maioria absoluta. Se o que a Europa do directório pretendia era uma vacina que evitasse contágios do efeito Syriza a países como Espanha e Portugal, com eleições marcadas para o final deste ano, fracassou. Se o que o Governo grego pretendia ao tentar de todas as formas possíveis e imaginárias honrar o compromisso eleitoral de tudo fazer para manter a Grécia no euro era cimentar a sua credibilidade para poder antecipar eleições e, agora sim, obter o mandato que não tinha para conduzir a saída do euro, pelo menos a avaliar pelas sondagens, triunfou. E a confirmar-se este triunfo, será um triunfo também para nós, portugueses. É o mesmo euro e é a mesma Europa que nos condenam enegrecendo-nos o presente e roubando-nos o futuro. Saibamos libertar-nos também.