quinta-feira, 2 de abril de 2015

João Miguel Tavares: ainda chegas a deputado, meu




Coitadinho do João Miguel Tavares. O rapaz inquietou-se tanto ao confrontar-se com a constatação de que o desemprego real que existe actualmente em Portugal está quatro pontos percentuais acima daquele que se verificava nos Estados Unidos na maior depressão do século XX que, sem tema a que atirar-se nesta semana de Ramadão noticioso, decidiu convencer quem o lê de que é tudo mentira. Mentira porque, em primeiro lugar, quem dirige o Observatório que produziu o relatório que inquietou o nosso cientista social são Carvalho da Silva e Boaventura Sousa Santos. Toda a gente sabe que todo o cuidado é pouco com o que dizem comunistas, sindicalistas e malta de esquerda em geral. Mentira porque, segundo o nosso estudioso da obra de Karl Marx, nem mesmo a imaginação deste se lembraria de contabilizar aqueles desempregados desencorajados que deixam de se apresentar nos centros de emprego com a periodicidade necessária para serem contabilizados como tal pelas estatísticas oficiais, os desempregados ocupados pelos estágios que o nosso académico admite que falseiam as mesmas estatísticas, os desempregados que aliviaram a taxa de desemprego ao emigrarem e todos aqueles mais de 300 mil que contra a sua vontade não conseguem mais do que um emprego em part-time. Não nega que existem. E mentira porque, agora segundo o João Miguel humorista, a criticável metodologia CGTP que foi utilizada no estudo não contabiliza as categorias “activos infelizes”, “activos que não saíram do armário” “activos descontentes” e “activos sonhadores”, inexistências criadas e colocadas pelo nosso “analista” no mesmo patamar das existências que não foi capaz de negar para, de mãos na cabeça, concluir a sua cruzada contra a mentira vermelha a rogar que lhe assegurem, por amor de Deus, “que não é este o género de “ciência” que se anda a praticar nas universidades portuguesas. E, de caminho, jurem-me que nem um cêntimo dos meus impostos está a servir para pagar o Observatório sobre Crises e os fetiches ideológicos do senhor Boaventura.” Da minha parte, asseguro-lhe que não gasto nem um cêntimo para ler parolices como esta. E, de caminho, ainda lhe agradeço a visibilidade que deu aos temas desemprego real e colunistas colaboracionistas da casta que, a pretexto de uma emergência que ela própria criou, aproveitou para enriquecer tanto quanto empobreceu todos os demais. Eu hoje também estava um bocado sem tema para alimentar o meu burro.

2 comentários:

fb disse...

Coitado do João Miguel Tavares. O rapaz inquietou-se tanto ao confrontar-se com a constatação de que o desemprego real que existe actualmente em Portugal está quatro pontos percentuais acima daquele que se verificava nos Estados Unidos na maior depressão do século XX que, sem tema a que atirar-se nesta semana de Ramadão noticioso, decidiu convencer quem o lê de que é tudo mentira. Mentira porque, em primeiro lugar, quem dirige o Observatório que produziu o relatório que inquietou o nosso cientista social são Carvalho da Silva e Boaventura Sousa Santos. Toda a gente sabe que todo o cuidado é pouco com o que dizem comunistas, sindicalistas e malta de esquerda em geral. Mentira porque, segundo o nosso estudioso da obra de Karl Marx, nem mesmo a imaginação deste se lembraria de contabilizar aqueles desempregados desencorajados que deixam de se apresentar nos centros de emprego com a periodicidade necessária para serem contabilizados como tal pelas estatísticas oficiais, os desempregados ocupados pelos estágios que o nosso académico admite que falseiam as mesmas estatísticas, os desempregados que aliviaram a taxa de desemprego ao emigrarem e todos aqueles mais de 300 mil que contra a sua vontade não conseguem mais do que um emprego em part-time. Não nega que existem. E mentira porque, agora segundo o João Miguel humorista, a criticável metodologia CGTP que foi utilizada no estudo não contabiliza as categorias “activos infelizes”, “activos que não saíram do armário” “activos descontentes” e “activos sonhadores”, inexistências criadas e colocadas pelo nosso “analista” no mesmo patamar das existências que não foi capaz de negar para, de mãos na cabeça, concluir a sua cruzada contra a mentira vermelha a rogar que lhe assegurem, por amor de Deus, “que não é este o género de “ciência” que se anda a praticar nas universidades portuguesas. E, de caminho, jurem-me que nem um cêntimo dos meus impostos está a servir para pagar o Observatório sobre Crises e os fetiches ideológicos do senhor Boaventura.” Da minha parte, asseguro-lhe que não gasto nem um cêntimo para ler parolices como esta. E, de caminho, ainda lhe agradeço a visibilidade que deu aos temas desemprego real e colunistas colaboracionistas da casta que, a pretexto de uma emergência que ela própria criou, aproveitou para enriquecer tanto quanto empobreceu todos os demais.

francisco bexiga disse...

Deixe-lhe esta no Público:

Francisco Bexiga Não faço ideia se os números do Observatório estão correctos. Uma coisa é certa João, a ciência, nenhuma ciência depende da sua crença. E ainda bem. Ou ainda andaríamos a pensar que a terra era plana.

Em jeito de despedida, o João faria bem em fazer um estudo complementar ao do Observatório. Aplicando os métodos científicos. E então, obtendo resultados diferentes, ai sim, criticar a ciência aplicada ao estudo. Isso sim, era ser científico.

Abraço.