terça-feira, 14 de abril de 2015

Fizemos os dias assim





O país estremeceu de terror com uma reportagem que a TVI exibiu na noite de ontem. O trabalho da equipa de Ana Leal mostrou que depois do caos nas urgências durante o pico da gripe, os principais problemas que levaram ao congestionamento dos hospitais mantêm-se: há falta de médicos e enfermeiros que chegam a acumular 300 horas a mais de trabalho. As imagens recolhidas às escondidas durante um mês em 15 hospitais fazem lembrar um cenário de quase terceiro mundo, com macas amontoadas pelos corredores porque há enfermarias fechadas, doentes que esperam horas para serem observados por um médico. Há hospitais onde chega a faltar papel, roupa, fraldas e detergente para as mãos. Mas o Secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Leal da Cunha, é da opinião que a reportagem demonstra que «os Serviços de Urgência em Portugal funcionam muito bem». É capaz de ter a sua razão. Ele sabe que na completa ausência de reacção popular o Governo a que pertence pode, não apenas dizer, sobretudo ir fazendo as barbaridades que lhe apetecer. A reportagem que mostra o que deixámos que fizessem ao nosso Serviço Nacional de Saúde está disponível aqui.

Vagamente relacionado: "O Ministério da Saúde apropriou-se da ADSE, que se tornou um verdadeiro saco azul, em cuja gestão tem óbvios conflitos de interesse. Em 2014, a ADSE deu um lucro de 200 milhões de euros, que são dos seus beneficiários, não do Ministério da Saúde! Mas o lucro para o MS é ainda maior, pois os beneficiários, quando recorrem ao setor privado, estão a poupar ao Serviço Nacional de Saúde os atos que aí não consomem. Além disso, os beneficiários da ADSE pagam a saúde duas vezes, pois pagam as suas elevadas contribuições para a ADSE, que dá lucro, e pagam os seus impostos para o SNS, que pouco utilizam. Por isso, estão a sair da ADSE, que é opcional, a um ritmo contínuo, o que pode pôr em causa a sustentabilidade da própria ADSE. A ADSE tem de ser gerida pelos seus contribuintes, para poderem beneficiar dos respetivos lucros e conseguirem muitos mais benefícios pelo mesmo valor da enorme taxa que pagam. A Ordem dos Médicos considera que os beneficiários da ADSE devem organizar-se e geri-la autonomamente." - José Manuel Silva.

1 comentário:

fb disse...

As imagens recolhidas às escondidas durante um mês em 15 hospitais fazem lembrar um cenário de quase terceiro mundo, com macas amontoadas pelos corredores porque há enfermarias fechadas, doentes que esperam horas para serem observados por um médico. Há hospitais onde chega a faltar papel, roupa, fraldas e detergente para as mãos. Mas o Secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Leal da Cunha, é da opinião que a reportagem demonstra que «os Serviços de Urgência em Portugal funcionam muito bem». É capaz de ter a sua razão. Ele sabe que na completa ausência de reacção popular o Governo a que pertence pode, não apenas dizer, sobretudo ir fazendo as barbaridades que lhe apetecer. A reportagem que mostra o que deixámos que fizessem ao nosso Serviço Nacional de Saúde está disponível aqui.