segunda-feira, 13 de abril de 2015

Casa arrombada


Casa arrombada, casa arrumada e trancas à porta. A sequência na Islândia foi mais ou menos esta. Quando foram convidados pela liga de amigos dos donos do mundo a pagar a delinquência banqueira que  fez desmoronar o sistema financeiro do país, os islandeses souberam dizer não, correr com o FMI, cancelar o pedido de adesão à União Europeia, engavetar banqueiros ladrões e colocar na prateleira a classe política que tudo lhes permitiu da única forma possível, substituindo-a  por gente de confiança que conseguiu pôr o país a crescer e está agora empenhada em retirar aos bancos a bomba que fez tudo ir pelos ares: o poder de criar dinheiro. Leio a notícia no mesmo dia em que leio uma outra sobre um dos maiores devedores do BPN, Aprígio Santos, a quem uns chineses “safaram”. O nosso Aprígio vai conseguir vender património que não lhe foi confiscado como devia, a dívida que lhe corresponde fomos todos nós que a pagámos, e os chineses que lho comprarem ganham o direito a um visto douradíssimo como prémio por terem investido na liberdade de vender deste nosso proeminente empreendedor. Casa arrombada, caso arrumado, investidores à porta. Um dia destes acordamos todos ricos.


Vagamente relacionado: de acordo com o barómetro Aximage relativo a Abril de 2015, o arco da austeridade (PSD, PS e CDS) continua a reunir 73,4% das intenções de voto, quase 3 em cada 4 votos, 6,8% acima dos 66.6% necessários para alterar a Constituição da República Portuguesa.

2 comentários:

fb disse...

Casa arrombada, casa arrumada e trancas à porta. A sequência na Islândia foi mais ou menos esta. Quando foram convidados pela liga de amigos dos donos do mundo a pagar a delinquência banqueira que fez desmoronar o sistema financeiro do país, os islandeses souberam dizer não, correr com o FMI, cancelar o pedido de adesão à União Europeia, engavetar banqueiros ladrões e colocar na prateleira a classe política que tudo lhes permitiu da única forma possível, substituindo-a por gente de confiança que conseguiu pôr o país a crescer e está agora empenhada em retirar aos bancos a bomba que fez tudo ir pelos ares: o poder de criar dinheiro. Leio a notícia no mesmo dia em que leio uma outra sobre um dos maiores devedores do BPN, Aprígio Santos, a quem uns chineses “safaram”. O nosso Aprígio vai conseguir vender património que não lhe foi confiscado como devia, a dívida que lhe corresponde fomos todos nós que a pagámos, e os chineses que lho comprarem ganham o direito a um visto douradíssimo como prémio por terem investido na liberdade de vender deste nosso proeminente empreendedor. Casa arrombada, caso arrumado, investidores à porta. Um dia destes acordamos todos ricos.

Anónimo disse...

https://www.youtube.com/watch?v=p-Whzw-RA7M