É sempre para o nosso bem. Quando
há um atentado terrorista, são os big brothers adormecidos que despertam com a
oportunidade de nos transformarem a todos em terroristas em potência para poderem
angariar apoios para a concretização do sonho adiado de nos vigiarem cada
movimento. Quando é um piloto de aviação com problemas psiquiátricos por si ocultados da
entidade patronal a levar consigo para a morte 150 passageiros, tornam-nos pilotos kamikaze em potência, com toda a certeza
tão cedo não aparecerá melhor
oportunidade para finalmente conceder às entidades patronais a informação que
contem o poder de contratar os mais saudáveis e suspender ou despedir os menos
produtivos. O bastonário da Ordem dos Médicos admitiu
ontem a criação de um mecanismo para as baixas serem comunicadas
directamente à entidade patronal, sem que seja violado o segredo médico, nos
casos que impliquem riscos para terceiros. Mas afinal que interesse teria essa
informação nestas condições? Nenhum. O segredo médico é que lhe confere todo o
interesse. E o que será lá isso de "riscos para terceiros"?
Se incluir o risco de contágio de doenças infecciosas, em vez de avançarem também
sobre o direito à privacidade, podiam começar por conceder o direito a estar
doente aos portugueses que obrigam a levar os vírus e as bactérias aos colegas
no local de trabalho se não quiserem perder o direito ao salário dos dias em
que necessitarem de ficar em casa. O risco desaparece. Da mesma forma, o direito à estabilidade
no emprego, que inclui o direito a não ter medo de ser despedido por se estar
com problemas psiquiátricos, se não fizesse desaparecer, pelo menos minimizaria
o risco de um piloto com tendências suicidas se apresentar ao serviço para a
seguir matar 150 pessoas. Se o objectivo fosse realmente minimizar o perigo e fazer
a nossa civilização avançar no sentido correcto, era isto que estaria a ser
debatido, mais direitos e não menos. Já nos restam tão poucos.

1 comentário:
O direito à estabilidade no emprego, que inclui o direito a não ter medo de ser despedido por se estar com problemas psiquiátricos, se não fizesse desaparecer, pelo menos minimizaria o risco de um piloto com tendências suicidas se apresentar ao serviço para a seguir matar 150 pessoas. Se o objectivo fosse realmente minimizar o perigo e fazer a nossa civilização avançar no sentido correcto, era isto que estaria a ser debatido, mais direitos e não menos. Já nos restam tão poucos.
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