Se há conflitos em que nenhum dos
lados defende causas e valores daqueles pelos quais vale a pena lutar, a guerra
que vai matando gente no Leste da Ucrânia é um deles. Também por isso tenho
evitado escrever sobre ele. Para dizer o óbvio, que a União Europeia envergonha
os europeus ao assumir o papel de peão dos Estados Unidos que apoia
declaradamente um dos lados, aborrece-me. Para escalpelizar detalhadamente as
razões que fazem cada um dos lados pegar em armas, sairia uma coisa longa e
enfadonha que não acrescentaria nada ao que outros escreveram muito melhor do
que eu alguma vez conseguiria. E não será hoje que o farei. Pego no
tema de raspão, apenas para sublinhar o simulacro de condenação consternada que
mereceu a execução do líder da oposição russa pelas mesmas bocas e pelas mesmas
mãos que há tão pouco tempo se desdobravam em elogios a um Vladimir Putin cujo regime
já então sobrevivia à sombra de fraudes eleitorais sucessivas e afastava
opositores prendendo-os
e roubando-lhes a vida. Esta Europa que hoje pede
a cabeça dos assassinos de Boris Nemtsov é a mesma que se calou aos
assassinatos de Farid Babáev e Aleksander
Litvinenko quando se sentava com Putin do mesmo lado da mesa da divisão internacional
da riqueza. A grande imprensa que em 2007 fazia do assassino de estimação dos seus
proprietários a sua personalidade do ano é a mesma que hoje, já com os nazis ucranianos
a ocuparem o lugar que era seu, o crucifica ao mesmo tempo que se cala a barbaridades
como a licença para atirar sobre desertores que o Parlamento
ucraniano concedeu ao seu exército de recrutados à força. Nós e os monstros.
O monstro russo, o monstro ucraniano e o monstro europeu. Estamos nas mãos deste
último e da imprensa que tem ao seu serviço para nos embalar ao colo dos três.
Superavit
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[image: thinkstockphotos-492595743.jpg]
Há muito que se conhece a frieza dos credores que jogam no casino das
dívidas dos países, como também se percebeu...
Há 1 hora


1 comentário:
Um simulacro de condenação consternada que mereceu a execução do líder da oposição russa pelas mesmas bocas e pelas mesmas mãos que há tão pouco tempo se desdobravam em elogios a um Vladimir Putin cujo regime já então sobrevivia à sombra de fraudes eleitorais sucessivas e afastava opositores prendendo-os e roubando-lhes a vida. Esta Europa que hoje pede a cabeça dos assassinos de Boris Nemtsov é a mesma que se calou aos assassinatos de Farid Babáev e Aleksander Litvinenko quando se sentava com Putin do mesmo lado da mesa da divisão internacional da riqueza. A grande imprensa que em 2007 fazia do assassino de estimação dos seus proprietários a sua personalidade do ano é a mesma que hoje, já com os nazis ucranianos a ocuparem o lugar que era seu, o crucifica ao mesmo tempo que se cala a barbaridades como a licença para atirar sobre desertores que o Parlamento ucraniano concedeu ao seu exército de recrutados à força. Nós e os monstros. O monstro russo, o monstro ucraniano e o monstro europeu. Estamos nas mãos deste último e da imprensa que tem ao seu serviço para nos embalar ao colo dos três.
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