segunda-feira, 16 de março de 2015

Gostei de ler: "Predadores"



«O caso dos 2500 clientes do BES burlados pelo "papel comercial" vendido na vertiginosa fase final da ruinosa gestão de Ricardo Salgado é apenas um capítulo do longo calvário que nos aguarda. Na Áustria, o Hypo Alpe-Adria-Bank, da Caríntia, foi nacionalizado em 2008. Viena injetou 5,5 mil milhões de euros dos contribuintes. Sete anos depois, o "buraco" continua a alastrar, atingindo 7,8 mil milhões de euros que, muito provavelmente, acabarão por ser pagos pelos 550 mil cidadãos da Caríntia. As regras da zona euro foram gizadas por políticos iliteratos, coadjuvados por economistas de terceira categoria, deixando o caminho aberto para os banksters, de que tão exuberantemente fala Marc Roche no seu recente ensaio. A crise financeira, iniciada nos EUA, propagou-se de forma letal na Europa porque a zona euro foi o paraíso da desmesura bancária (que destrói o valor da confiança, essa alma do negócio da banca). O caso BES é exemplar, pois demonstra que, depois de sucessivos testes de stress, de três anos de escrutínio da troika, dos alicerces lançados da união bancária, é ainda possível um país ser engolido pelo buraco negro de crimes que ludibriam todos os níveis de regulação, nacional e europeia. Com exceção da minúscula Islândia, os responsáveis pelo empobrecimento de tantos milhões de europeus continuam a sua confortável existência. Mais, conseguiram transferir a culpa dos desequilíbrios por si provocados para os Estados periféricos (esta é a "crise da dívida soberana", lembram-se?) e para a gente humilde (os jardineiros e paralíticos gregos, das fábulas que os néscios repetem). A Europa terá de escolher entre controlar o seu sistema financeiro e continuar a deixar-se devorar por ele.» – Viriato Soromenho Marques, no DN.

1 comentário:

fb disse...

Com exceção da minúscula Islândia, os responsáveis pelo empobrecimento de tantos milhões de europeus continuam a sua confortável existência. Mais, conseguiram transferir a culpa dos desequilíbrios por si provocados para os Estados periféricos (esta é a "crise da dívida soberana", lembram-se?) e para a gente humilde (os jardineiros e paralíticos gregos, das fábulas que os néscios repetem). A Europa terá de escolher entre controlar o seu sistema financeiro e continuar a deixar-se devorar por ele.» – Viriato Soromenho Marques, no DN.