E cá estamos nós outra vez a falar
do mesmo. Manuel Salgado, vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, informou
em 2011 o proprietário de quatro edifícios situados na Av. Fontes Pereira de
Melo, destinados a serem demolidos, de que lá poderia construir uma área total
de 12.377 m2, para comércio e serviços, em sete pisos acima do solo. Em 2012, o
terreno mudou de mãos e foi adquirido por uma empresa então criada por um
antigo governador do Banco de Portugal e antigo presidente da Caixa Geral de
Depósitos, António de Sousa, e pelo Banco Espírito Santo. Em Janeiro deste ano,
o mesmo vereador Manuel Salgado propôs, e a câmara aprovou, apenas com os votos
do PS e de um vereador dos Cidadãos por Lisboa, a viabilização, para o mesmo
local, de um total de 23.386 m2 de comércio e serviços em 17 pisos. Milagre.
São mais 11.009 m2, mais 88,9%, e mais 10 andares. É dinheiro. Muito dinheiro.
Um simples acto administrativo, a alteração do PDM, deu aos novos proprietários
a fortuna que negou aos antigos donos. Apesar desta estar longe de ser a
primeira grande negociata a contar com a assinatura de António Costa, deixarei
à claque laranja todas as suspeições que queiram levantar sobre a sua
honestidade juntamente com a certeza de que se a CML estivesse hoje nas mãos do
PSD tais considerações caberiam à claque rosa. Estou demasiado farto de ver gente
a enriquecer sem nada fazer para alimentar o jogo de acusações recíprocas que vai
perpetuando o rotativismo deste centrão que usa o poder que lhe é confiado pelos
eleitores para distribuir fortunas pelos/com os que lhes são mais próximos, com
ou sem contrapartidas pessoais que invariavelmente ficam sempre por provar. Prefiro
sublinhar o consenso que sustenta esta aparente rivalidade entre claques na recusa
da criação de um imposto a 100% sobre as mais valias urbanísticas que decorrem de
actos administrativos, como a alteração do PDM que fez a fortuna dos amigos acima
citados, que o Bloco de Esquerda propôs no Parlamento - vídeo aqui - tantas vezes quantas PSD,
PS e CDS chegaram ao consenso que a recusou. Já vai sendo tempo de tornar este
paraíso do enriquecimento de uma casta de bem relacionados um lugar decente onde
todos possamos prosperar com o nosso esforço e o nosso trabalho. Já vai sendo tempo de deixarmos de tropeçar sempre nas mesmas pedras.
“no silêncio da noite…” por Lídia Rocha – She
-
“She” é a versão em inglês da canção “Tous les Visages de L’amour”da
autoria de Charles Aznavour em 1979. Esta interpretação é de Elvis
Costellocantor, com...
Há 44 minutos


1 comentário:
Milagre. São mais 11.009 m2, mais 88,9%, e mais 10 andares. É dinheiro. Muito dinheiro. Um simples acto administrativo, a alteração do PDM, deu aos novos proprietários a fortuna que negou aos antigos donos. Apesar desta estar longe de ser a primeira grande negociata a contar com a assinatura de António Costa, deixarei à claque laranja todas as suspeições que queiram levantar sobre a sua honestidade juntamente com a certeza de que se a CML estivesse hoje nas mãos do PSD tais considerações caberiam à claque rosa. Estou demasiado farto de ver gente a enriquecer sem nada fazer para alimentar o jogo de acusações recíprocas que vai perpetuando o rotativismo deste centrão que usa o poder que lhe é confiado pelos eleitores para distribuir fortunas pelos/com os que lhes são mais próximos, com ou sem contrapartidas pessoais que invariavelmente ficam sempre por provar. Prefiro sublinhar o consenso que sustenta esta aparente rivalidade entre claques na recusa da criação de um imposto a 100% sobre as mais valias urbanísticas que decorrem de actos administrativos, como a alteração do PDM que fez a fortuna dos amigos acima citados, que o Bloco de Esquerda propôs no Parlamento tantas vezes quantas PSD, PS e CDS foram consensuais em inviabilizá-las. Já vai sendo tempo de tornar este paraíso do enriquecimento de uma casta de bem relacionados um lugar decente onde todos possamos prosperar com o nosso esforço e o nosso trabalho.
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