segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Uma boa notícia para começo de semana


A insolvência do sector financeiro, o endividamento das famílias e as responsabilidades de Estados muito preocupados em proteger os seus cidadãos dos perigosos malefícios do tabaco mas nada preocupados em protegê-los da nada perigosa gula dos agiotas. À semelhança do que por cá se tem feito relativamente às dívidas dos nossos mais ricos, o Governo croata sentiu-se na obrigação de desembolsar 27 milhões de euros – o BPN já nos custou mais de 300 vezes esse valor – – e assumir as dívidas até 5 mil euros dos seus mais pobres, que não protegeu como deveria, para lhes dar a oportunidade de recomeçarem as suas vidas livres desse pesadelo. A notícia não o menciona, não faço ideia se a iniciativa inclui uma proibição que impeça o sector financeiro de conceder crédito a famílias que à partida objectivamente não têm condições mínimas de cumprirem com o plano de pagamentos respectivo, mas para acautelar repetições futuras que apenas se evitam corrigindo erros passados, se a ideia for mesmo “começar de novo” como indica o nome do programa que hoje deu um despertar sem dívidas a 60 mil croatas, haveria que fixar uma taxa de esforço – valor da prestação mensal a dividir pelo rendimento no mesmo período – a partir da qual as instituições de crédito seriam multadas caso arriscassem emprestar a quem não tem capacidade financeira para se endividar. É assim que se protege o cidadão do crédito. E é também assim que se protege a comunidade da voracidade de banqueiros que enriquecem quando o negócio corre bem e nunca empobrecem quando o negócio corre mal.

1 comentário:

fb disse...

A insolvência do sector financeiro, o endividamento das famílias e as responsabilidades de Estados muito preocupados em proteger os seus cidadãos dos perigosos malefícios do tabaco mas nada preocupados em protegê-los da nada perigosa gula dos agiotas. À semelhança do que por cá se tem feito relativamente às dívidas dos nossos mais ricos, o Governo croata sentiu-se na obrigação de desembolsar 27 milhões de euros – o BPN já nos custou mais de 300 vezes esse valor – – e assumir as dívidas dos seus mais pobres, que não protegeu como deveria, para lhes dar a oportunidade de recomeçarem as suas vidas livres desse pesadelo. A notícia não o menciona, não faço ideia se a iniciativa inclui uma proibição que impeça o sector financeiro de conceder crédito a famílias que à partida objectivamente não têm condições mínimas de cumprirem com o plano de pagamentos respectivo. Para acautelar repetições futuras que apenas se evitam corrigindo erros passados, se a ideia for mesmo “começar de novo” como indica o nome do programa que hoje deu um despertar sem dívidas a 60 mil croatas, haveria que fixar uma taxa de esforço – valor da prestação mensal a dividir pelo rendimento no mesmo período – a partir da qual as instituições de crédito seriam multadas caso arriscassem emprestar a quem não tem capacidade financeira para se endividar. É assim que se protege o cidadão do crédito. E é também assim que se protege a comunidade da voracidade de banqueiros que enriquecem quando o negócio corre bem e nunca empobrecem quando o negócio corre mal.