segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Sobre salário mínimo



De entre as intenções do novo Governo grego, porventura aquela que mais reacções despertou no meu pequeno mundo de relacionamentos foi a restauração do seu valor para aquele que vigorava antes da ocupação externa. A maioria refere-se-lhe nos mesmos termos em que o faz a comunicação social, chama-lhe “subida”, e reproduz a tese dos “especialistas” da imprensa económica que vaticinam que a economia grega não resistirá à devolução desta parcela de dignidade que, a mando da troika, os Governos anteriores roubaram aos gregos, quando o que objectivamente se verifica é que a economia grega não resistiu ao roubo, encolhendo-se para três quartos da riqueza que produzia anualmente antes da “ajuda”e fazendo o desemprego disparar para mais do dobro. Sem dúvida alguma, os “especialistas” têm feito um excelente trabalho, tanto mais que por cá os efeitos devastadores da contínua desvalorização salarial, tornada política oficial em Portugal depois da adesão ao euro, se notam por toda a parte com cada vez mais intensidade numa crise à prova de “especialistas” que entrou no nosso quotidiano vai para quinze anos. Vem no I de hoje: “desde 1999, ano do nascimento do euro, até este ano, Portugal foi o quarto país que menos aumentou o salário mínimo no conjunto de 21 países da União Europeia”. A actualização do salário mínimo para mínimos de decência não é mera questão de justiça social, é também e sobretudo um imperativo de racionalidade económica.


1 comentário:

fb disse...

De entre as intenções do novo Governo grego, porventura aquela que mais reacções despertou no meu pequeno mundo de relacionamentos foi a restauração do seu valor para aquele que vigorava antes da ocupação externa. A maioria refere-se-lhe nos mesmos termos em que o faz a comunicação social, chama-lhe “subida”, e reproduz a tese dos “especialistas” da imprensa económica que vaticinam que a economia grega não resistirá à devolução desta parcela de dignidade que, a mando da troika, os Governos anteriores roubaram aos gregos, quando o que objectivamente se verifica é que a economia grega não resistiu ao roubo, encolhendo-se para três quartos da riqueza que produzia anualmente antes da “ajuda”e fazendo o desemprego disparar para mais do dobro. Sem dúvida alguma, os “especialistas” têm feito um excelente trabalho, tanto mais que os efeitos devastadores da contínua desvalorização salarial, tornada política oficial em Portugal depois da adesão ao euro, se notam por toda a parte com cada vez mais intensidade numa crise à prova de “especialistas” que entrou no nosso quotidiano vai para quinze anos. Vem no I de hoje: “desde 1999, ano do nascimento do euro, até este ano, Portugal foi o quarto país que menos aumentou o salário mínimo no conjunto de 21 países da União Europeia”. A actualização do salário mínimo para mínimos de decência não é mera questão de justiça social, é também e sobretudo um imperativo de racionalidade económica.