quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Série "poupanças" - continuação das continuações anteriores


Com contas de merceeiro em fundo, por estes dias tem-se falado em chumbos e em vacinas. Apesar de reconhecer a sua eficácia na protecção de bebés e crianças contra alguns tipos de infecções graves como a meningite, a pneumonia e a septicémia e de admitir que a vacinação dos mais jovens reduziria o número de pneumonias nos mais idosos, uma das principais causas de morte, o Ministério da Saúde anda há anos a protelar – eles chamam-lhe “estudar” – a inclusão de uma vacina no plano nacional de vacinação, uma medida que, sem regatear preços com a farmacêutica respectiva, custaria anualmente nem 20 milhões de euros. No sector da Educação, David Justino concluiu aturados estudos sobre a problemática dos chumbos e entre as suas conclusões vem a proposta de acabar com as retenções para “poupar” 600 milhões de euros. De repente, as nossas vidas tornaram-se contas. Contas muito mal feitas. Poupar por poupar, poupar-se-ia bastante mais acabando de vez com o sistema de ensino e com o plano nacional de vacinação. Mas poupar por poupar fica muito caro. Tardará menos do que o espaço temporal de uma geração para chegar a conta da falta de quadros gerada pelo desmantelamento em curso da Escola pública. Já vai chegando todos os anos a conta dos internamentos causados pelas “poupanças” na prevenção que os evitaria. E as mortes também não entram nestas contas feitas ao ano sem contabilizarem custos de longo prazo e igualando a zero todas as parcelas relativas a sofrimento humano. A Alemanha exige determinado quociente anual, os capatazes cá do sítio põem o país inteiro a sangrar para se aproximarem desse valor. Depois, em data com vantagens recíprocas, aparece a Ministra a receber elogios do patrão alemão no telejornal. Eles sabem que haverá sempre quem fique muito bem impressionado e aplauda o elogio da destruição do seu país. E que o resto desta conta se poupa nas reacções e insiste em não contar para nada. Seja feita a sua vontade. Não há porque fazer-lhes caso.


Sobre a dimensão do “caso de sucesso” português: "Em Portugal, apesar dos progressos consideráveis na implementação do programa de ajustamento, permanecem riscos importantes, como o elevado nível de dívida e de desemprego, o que nos leva a colocar o país na categoria de desequilíbrios excessivos, que requerem acções decisivas e vigilância permanente", anunciou hoje o comissário europeu para a Economia, Pierre Moscovici. Isto ainda mal começou.

2 comentários:

fb disse...

E as mortes também não entram nestas contas feitas ao ano sem contabilizarem custos de longo prazo e igualando a zero todas as parcelas relativas a sofrimento humano. A Alemanha exige determinado quociente anual, os capatazes cá do sítio põem o país inteiro a sangrar para se aproximarem desse valor. Depois, em data com vantagens recíprocas, aparece a Ministra a receber elogios do patrão alemão no telejornal. Eles sabem que haverá sempre quem fique muito bem impressionado e aplauda o elogio da destruição do seu país. E que o resto desta conta se poupa nas reacções e insiste em não contar para nada. Seja feita a sua vontade. Não há que fazer-lhes caso.

Manuel Salgado Alves disse...

O Junker a chamar-nos "gregos"!