Com contas de merceeiro em fundo,
por estes dias tem-se falado em chumbos e em vacinas. Apesar de
reconhecer a sua eficácia na protecção de bebés e crianças contra alguns tipos
de infecções graves como a meningite, a pneumonia e a septicémia e de admitir que
a vacinação dos mais jovens reduziria o número de pneumonias nos mais idosos,
uma das principais causas de morte, o Ministério da Saúde anda há anos a
protelar – eles chamam-lhe “estudar”
– a inclusão de uma vacina no plano nacional de vacinação, uma medida que, sem
regatear preços com a farmacêutica respectiva, custaria anualmente nem 20 milhões
de euros. No sector da Educação, David Justino concluiu aturados estudos sobre a
problemática dos chumbos e entre as suas conclusões vem a proposta de acabar
com as retenções para “poupar” 600
milhões de euros. De repente, as nossas vidas tornaram-se contas. Contas
muito mal feitas. Poupar por poupar, poupar-se-ia bastante mais acabando de vez
com o sistema de ensino e com o plano nacional de vacinação. Mas poupar por
poupar fica muito caro. Tardará menos do que o espaço temporal de uma geração
para chegar a conta da falta de quadros gerada pelo desmantelamento em curso da
Escola pública. Já vai chegando todos os anos a conta dos internamentos causados
pelas “poupanças” na prevenção que os evitaria. E as mortes também não entram nestas
contas feitas ao ano sem contabilizarem custos de longo prazo e igualando a zero
todas as parcelas relativas a sofrimento humano. A Alemanha exige determinado quociente
anual, os capatazes cá do sítio põem o país inteiro a sangrar para se aproximarem
desse valor. Depois, em data com vantagens recíprocas, aparece a Ministra a receber
elogios do patrão alemão no telejornal. Eles sabem que haverá sempre quem fique
muito bem impressionado e aplauda o elogio da destruição do seu país. E que o resto
desta conta se poupa nas reacções e insiste em não contar para nada. Seja feita
a sua vontade. Não há porque fazer-lhes caso.
Sobre a dimensão do “caso de sucesso”
português: "Em Portugal, apesar dos progressos consideráveis na
implementação do programa de ajustamento, permanecem riscos importantes, como o
elevado nível de dívida e de desemprego, o que nos leva a colocar o país na
categoria de desequilíbrios excessivos, que requerem acções decisivas e
vigilância permanente", anunciou hoje o comissário europeu para a Economia,
Pierre
Moscovici. Isto ainda mal começou.


2 comentários:
E as mortes também não entram nestas contas feitas ao ano sem contabilizarem custos de longo prazo e igualando a zero todas as parcelas relativas a sofrimento humano. A Alemanha exige determinado quociente anual, os capatazes cá do sítio põem o país inteiro a sangrar para se aproximarem desse valor. Depois, em data com vantagens recíprocas, aparece a Ministra a receber elogios do patrão alemão no telejornal. Eles sabem que haverá sempre quem fique muito bem impressionado e aplauda o elogio da destruição do seu país. E que o resto desta conta se poupa nas reacções e insiste em não contar para nada. Seja feita a sua vontade. Não há que fazer-lhes caso.
O Junker a chamar-nos "gregos"!
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