Afinal, diz-nos o
Público, Portugal está entre os países da zona euro que concederam até
agora um menor volume de empréstimos à Grécia, quer em percentagem do PIB, quer
levando em conta a dimensão da sua população, tudo pelo facto de Portugal, a
partir do momento em que lhe foi aplicado também um programa da troika, ter
ficado dispensado dos custos associados à ajuda financeira à Grécia. Como se
vê, os colaboracionistas estão a ficar cada vez mais encurralados. Passos
Coelho e o seu gang de repetidores não arranjou melhor argumento do que um dado
falso para justificar a sua opção de continuar alinhado com os credores que nos
têm a saque em vez de explorar as vantagens da aliança com o novo Governo grego
que a defesa do interesse nacional exigiria a qualquer Governo decente de um país nas nossas condições.
Ignorância? Também. Ou
desonestidade, que vai dar ao mesmo. Mas apostar tudo na explicação estupidez natural é ingenuidade,
é não perceber que a crise de quase todos fez a fortuna de uma casta muito
seleccionada que enriqueceu como nunca. A troika deu-lhes o argumento dívida
que os pôs a reconfigurar a distribuição de riqueza do país e em troca puseram
o país ao serviço do pagamento dos juros agiotas exigidos por essa troika. É
natural que estejam desesperados.
De um momento para o outro, vêem-se
na iminência de deixarem de poder contar com a chantagem da dívida à qual os
gregos disseram basta. Sabem que sem ela
deixarão de poder continuar as "reformas estruturais" que fizeram
estas fortunas: o desmantelamento de serviços públicos que fez crescer o
negócio aos colégios e hospitais privados, os cortes salariais e a liberdade de
despedir que enriqueceram os grandes empregadores e provocaram o encerramento
de milhares de pequenas empresas cuja clientela foi absorvida pelas grandes que
sobreviveram, as privatizações a preço de saldo, quem sabe por haver comissões
combinadas em segredo entre os amigos vendedores e os amigos compradores, um
dia haveremos de sabê-lo, a classe média que sobrecarregaram com impostos sobre
os rendimentos do seu trabalho e com impostos sobre o consumo, ao mesmo tempo
que aliviaram impostos sobre lucros e rendas e mantiveram as grandes fortunas à
margem de qualquer contribuição.
E sabem que vão ter que
explicá-lo, mais cedo do que tarde. Os amigos alemães explicarão a sua parte
com as contas públicas, a balança comercial e o sector financeiro que salvaram
e equilibraram com os nossos impostos, com a destruição económica do nosso
tecido empresarial e com o desmantelamento dos nossos serviços públicos. Para
eles, foi bom negócio. Já os nossos alemãezinhos não poderão explicar a sua
parte com os ricos que fizeram semeando pobreza e destruindo e endividando o seu país. Para
nós, o negócio foi péssimo. Não vai ser mesmo nada fácil contrariar a evidência de que o
que Portugal afinal nunca foi não era a Grécia. Era a Alemanha.


1 comentário:
Portugal está entre os países da zona euro que concederam até agora um menor volume de empréstimos à Grécia, quer em percentagem do PIB, quer levando em conta a dimensão da sua população, tudo pelo facto de Portugal, a partir do momento em que lhe foi aplicado também um programa da troika, ter ficado dispensado dos custos associados à ajuda financeira à Grécia. Como se vê, os colaboracionistas estão a ficar cada vez mais encurralados. Passos Coelho e o seu gang de repetidores não arranjou melhor argumento do que um dado falso para justificar a sua opção de continuar alinhado com os credores que nos têm a saque em vez de explorar as vantagens da aliança com o novo Governo grego que a defesa do interesse nacional exigiria a qualquer Governo decente de um país nas nossas condições.
Enviar um comentário