Um acordo de princípio à
condição, que ainda não se sabe se irá durar apenas três dias, o pior dos
cenários, ou se quatro meses, o melhor. Tudo é melhor do que nada, pelo que ser
melhor do que nada nunca será vitória para ninguém. Mas no saldo provisório da
reunião do Eurogrupo de ontem há a registar um enorme recuo da intransigência
tentada pela Alemanha ao longo de toda a semana, que a tradicional subserviência
dos restantes países nunca conseguiu contrariar, e a primeira vez em muitos anos em
que se discutiram políticas, afinal havia alternativas, e que umas eleições
conseguiram dar voz aos eleitores nas instâncias europeias, há muito tempo que a
vontade das pessoas não se conseguia fazer ouvir ali, onde os seus destinos são
decididos por uma gente que não as considera mais do que centros de custos e de
proveitos. E nada disto é pouco. Será esta voz que o Governo grego irá verter
nas propostas que apresentará na próxima Segunda-feira, de igual para igual,
não de membro convidado para membros de pleno direito, pelo que teremos que
aguardar até lá para fazer o balanço final do quanto conseguirá avançar, e note-se
bem que serão sempre avanços, o recuo será sempre relativamente à sua intenção
inicial de avançar mais rapidamente. Empresa difícil.
Ficámos a saber como decorrem
estas reuniões quando há uma voz dissonante. São 18 contra 1, a Comissão
Europeia eclipsa-se, a Alemanha senta-se numa sala, a voz noutra, nada de confianças
de todos sentados à mesma mesa, o diálogo faz-se através de documentos que
circulam pelo corredor carregados por estafetas, os restantes estados ou são
tão alemães como a Alemanha ou esforçam-se por sê-lo ainda mais, como fizeram
Portugal e Espanha, que apostaram tudo em impedir um acordo final apesar de
serem precisamente aqueles cujo interesse nacional mais coincide com o grego.
Uma conduta tão miserável ao ponto de Janis Varoufakis invocar as "boas
maneiras" para não comentar as
posições defendidas por Maria Luís Albuquerque. A nossa vergonha tudo fez
para vergar a dignidade grega. Fracassou, como inexistência que nem mesmo ajoelhando-se
consegue deixar de ser. Ontem negociou-se. E mais uma vez foi o Governo grego que representou o interesse nacional de Portugal.
O
primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse este sábado numa declaração
televisiva que o acordo de ontem com o Eurogrupo “deixa para trás a
austeridade, o memorando, a troika”, mas que as “dificuldades reais” estão para
chegar. “O acordo de ontem com o Eurogrupo… cancela os compromissos dos
governos anteriores para cortes nos salários e nas pensões, para despedimentos
no sector público, para subidas do IVA na alimentação , na saúde”. “Ganhámos
uma batalha mas não a guerra". “Evitámos a asfixia da Grécia”, “mas o pior
vem agora". “Com o decisivo apoio do povo grego".


1 comentário:
A primeira vez em muitos anos em que se discutiram políticas, afinal havia alternativas, e que umas eleições conseguiram dar voz aos eleitores nas instâncias europeias, há muito tempo que a vontade das pessoas não se conseguia fazer ouvir ali, onde os seus destinos são decididos por gente que não as considera mais do que centros de custos e de proveitos. E nada disto é pouco. Será esta voz que o Governo grego irá verter nas propostas que apresentará na próxima Segunda-feira, de igual para igual, não de membro convidado para membros de pleno direito, pelo que teremos que aguardar até lá para fazer o balanço final do quanto conseguirá avançar, e note-se bem que serão sempre avanços, o recuo será sempre relativamente à sua intenção inicial de avançar mais rapidamente. Empresa difícil.
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