«Uma fraude? Mais uma. Em 2013
foi a descoberta da rede
de lavagem de dinheiro em alguns offshores, o que não constituiria
propriamente uma surpresa, em finais de 2014 foi o Luxleaks,
revelando como o principado negociava com multinacionais o seu esquema da evasão
fiscal, agora é a vez
da Suíça, o maior de todos os paraísos fiscais no mundo. A Suíça, mas só
uma pequena parte: a informação
que está a ser investigada abrange unicamente o ramo de Genebra do HSBC,
banco inglês, o segundo maior grupo bancário do mundo, mas deixa de fora quase
todo o sistema bancário que está baseado na Suíça.
Entretanto, o Le Monde obteve a
lista das ligações francesas do HSBC: lá estão profissionais liberais que fogem
ao fisco, o rei Maomé VI de Marrocos, desportistas, modelos, negociantes de
diamantes, pessoas suspeitas de serem traficantes de armas ou parte da Al
Qaeda. No total das várias listas, o montante chega a 180 mil milhões de
dólares. Não há aqui motivo para surpresa. Em Portugal, a “operação Monte
Branco”, como antes a “operação Furacão”, como antes o caso do BCP ou o caso do
BPP, como agora o caso do BES, todos demonstram a importância dos paraísos
fiscais nos circuitos de branqueamento de capitais, de fuga ao fisco ou de
acumulação de fortunas. Um livro recente, “A Riqueza Oculta das Nações”, de
Gabriel Zucman (Lisboa, Temas e Debates), calcula em 30 mil milhões o dinheiro
depositado por cidadãos portugueses na Suíça (imagine quantos défices seriam
pagos por estes impostos em falta). Só é preciso ter o poder e os contactos
suficientes para lá chegar.
Segundo os jornais, esta lista
inclui cerca de 200
portugueses, mas muito mais pessoas com residência em Portugal. É certo que
ainda nenhum jornalista conseguiu verificar a lista e os nomes que têm sido
citados merecem confirmação. A discrepância entre o número de residentes e de
nacionais também exige esclarecimento. Mas uma coisa é certa: é assim mesmo que
funcionam os paraísos fiscais. Não é preciso mais uma fraude para se concluir
que o sistema financeiro é, ele próprio, o gerador da fraude. Pois não?» – Francisco
Louçã, no TME.
Vagamente relacionado:
“Saiba
como os milionários fogem ao fisco em Portugal”.


1 comentário:
Uma coisa é certa: é assim mesmo que funcionam os paraísos fiscais. Não é preciso mais uma fraude para se concluir que o sistema financeiro é, ele próprio, o gerador da fraude. Pois não?
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