segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Gostei de ler: "O mistério dos 3% explicado aos europeus"


«Durou trinta anos e só agora se descobriu um dos segredos mais bem guardados da União Europeia: porque é que a regra do Tratado de Maastricht, e de tudo o que veio depois, era um défice máximo de 3% (ou o país seria sancionado com o um procedimento por “défice excessivo” e forçado a aceitar as medidas ditadas por Bruxelas).

Um jornalista, Filipe Alves, chamou a atenção para a revelação, que foi feita em setembro de 2012 num jornal francês, Le Parisien. O jornal entrevistou um obscuro alto funcionário reformado, Guy Abeille, que contou a história (depois desenvolvida por outro jornal): numa noite de maio de 1981, o recém-eleito presidente Mitterrand precisava de conselho para uma proposta sobre o limite do défice, a apresentar nas instâncias europeias e para condicionar os seus próprios ministros.

Teria que “soar” a coisa científica, não podia ser 1%, “impossível de atingir”. Também não convinha 2%, muito pouco, criaria “demasiada pressão”. Abeille sugeriu então 3%: “Isto era um bom número, um número que atravessou todas as épocas, que fazia pensar na Trindade”. Assunto resolvido, 3% ficou.

Fizeram-se tratados, impuseram-se sanções, houve discursos sobre a gravidade da ultrapassagem da barreira, foi criado o euro, torceram-se orçamentos, cortaram-se salários e pensões, venderam-se empresas, aumentaram-se impostos, tudo usando uma regra científico-religiosa, a da santíssima trindade. As coisas mais simples são mesmo as mais misteriosas. Amén.» - Francisco Louçã, no Tudo Menos Economia.

1 comentário:

fb disse...

Teria que “soar” a coisa científica, não podia ser 1%, “impossível de atingir”. Também não convinha 2%, muito pouco, criaria “demasiada pressão”. Abeille sugeriu então 3%: “Isto era um bom número, um número que atravessou todas as épocas, que fazia pensar na Trindade”. Assunto resolvido, 3% ficou.