Sempre que alguém se põe de pé, nota-se
ainda mais como os restantes estão de joelhos. Foi a Grécia de pé que expôs como
Portugal, Espanha, Irlanda e Itália rastejam sem vergonha nenhuma diante do que
lhes é imposto pela grande Alemanha. E é a demissão de hoje dos directores
de serviço do Hospital Amadora-Sintra, como antes tinha sido a dos do Garcia
de Horta, que expõe todos os restantes. Não é só nestes dois hospitais que a falta
de meios humanos e materiais chegou a cúmulos de pôr em risco de vida os utentes
que a eles recorrem. Em todos o inferno é o mesmo. Contudo, se há profissionais
briosos que se põem de pé e dão a cara pelos seus, também os há que aceitam colaborar
com um Governo que não hesita em sacrificar as vidas humanas – que o seu silêncio
vai condenando – em nome de uma dívida que ainda por cima aumenta à velocidade a
que deveria diminuir. A vossa atenção para os mercenários da morte deste Governo
criminoso.
Vagamente relacionado: «E se tudo isto trouxer muito sofrimento ao seu povo? Perguntam-me.
Está, certamente, a fazer bluff. O problema desta linha argumentativa é o de
partir do princípio, de acordo com a Teoria dos Jogos, de que vivemos numa
tirania de consequências. Que não há circunstâncias nas quais devemos fazer o
que é correcto, não como estratégia, mas por ser…correcto. (...) O nosso
governo não está a pedir aos nossos parceiros uma solução para pagar as
dívidas. Estamos a pedir alguns meses de estabilidade financeira que nos
permita criar reformas que uma extensa camada da população grega possa assumir
e apoiar, para podermos voltar a ter crescimento e acabar com a nossa falta de
capacidade de pagar as nossas dívidas. Pode pensar-se que esta retirada da
Teoria dos Jogos é motivada por uma qualquer agenda de esquerda radical. Nem
por isso. Aqui, a maior influência é Imannuel Kant, o filósofo alemão que nos
ensinou que a saída racional e livre do império da conveniência é fazer aquilo
que é correcto.» – Yanis Varoufakis, ao New
York Times.


1 comentário:
se há profissionais briosos que se põem de pé e dão a cara pelos seus, também os há que aceitam colaborar com um Governo que não hesita em sacrificar as vidas humanas – que o seu silêncio vai condenando – em nome de uma dívida que ainda por cima aumenta à velocidade a que deveria diminuir. A vossa atenção para os mercenários da morte deste Governo criminoso.
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