terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

De pé


Sempre que alguém se põe de pé, nota-se ainda mais como os restantes estão de joelhos. Foi a Grécia de pé que expôs como Portugal, Espanha, Irlanda e Itália rastejam sem vergonha nenhuma diante do que lhes é imposto pela grande Alemanha. E é a demissão de hoje dos directores de serviço do Hospital Amadora-Sintra, como antes tinha sido a dos do Garcia de Horta, que expõe todos os restantes. Não é só nestes dois hospitais que a falta de meios humanos e materiais chegou a cúmulos de pôr em risco de vida os utentes que a eles recorrem. Em todos o inferno é o mesmo. Contudo, se há profissionais briosos que se põem de pé e dão a cara pelos seus, também os há que aceitam colaborar com um Governo que não hesita em sacrificar as vidas humanas – que o seu silêncio vai condenando – em nome de uma dívida que ainda por cima aumenta à velocidade a que deveria diminuir. A vossa atenção para os mercenários da morte deste Governo criminoso.


Vagamente relacionado: «E se tudo isto trouxer muito sofrimento ao seu povo? Perguntam-me. Está, certamente, a fazer bluff. O problema desta linha argumentativa é o de partir do princípio, de acordo com a Teoria dos Jogos, de que vivemos numa tirania de consequências. Que não há circunstâncias nas quais devemos fazer o que é correcto, não como estratégia, mas por ser…correcto. (...) O nosso governo não está a pedir aos nossos parceiros uma solução para pagar as dívidas. Estamos a pedir alguns meses de estabilidade financeira que nos permita criar reformas que uma extensa camada da população grega possa assumir e apoiar, para podermos voltar a ter crescimento e acabar com a nossa falta de capacidade de pagar as nossas dívidas. Pode pensar-se que esta retirada da Teoria dos Jogos é motivada por uma qualquer agenda de esquerda radical. Nem por isso. Aqui, a maior influência é Imannuel Kant, o filósofo alemão que nos ensinou que a saída racional e livre do império da conveniência é fazer aquilo que é correcto.» – Yanis Varoufakis, ao New York Times.



1 comentário:

fb disse...

se há profissionais briosos que se põem de pé e dão a cara pelos seus, também os há que aceitam colaborar com um Governo que não hesita em sacrificar as vidas humanas – que o seu silêncio vai condenando – em nome de uma dívida que ainda por cima aumenta à velocidade a que deveria diminuir. A vossa atenção para os mercenários da morte deste Governo criminoso.