quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Terroristas de estimação


A Ministra das Finanças fala novamente em dispensar 12 mil funcionários públicos, o Estado tem 60 mil trabalhadores que foi recrutar aos centros de emprego para, sem direito a salário, desempenharem as funções dos 12 mil a dispensar, foi hoje publicada a lista com os nomes dos 150 educadores de infância, enfermeiros e técnicos de diagnóstico e de reinserção social que trabalhavam em organismos do Instituto de Segurança Social que foram colocados numa “requalificação” que será para o desemprego enquanto o Governo continuar a substituí-los por mão-de-obra gratuita. E o senhor Presidente da República e o senhor Primeiro-ministro falam-nos em terrorismo islâmico. De quem é que devemos ter medo?


Vagamente relacionado: “(…) O Tribunal de Justiça respondeu também a uma coisa que não lhe fora perguntada. Preparem-se, porque é o mundo da austeridade ao contrário: o BCE pode comprar dívida dos estados “se for preciso” — mas não pode participar na troika. A troika é provavelmente ilegal. O Tribunal de Justiça praticamente grita que lhe perguntem para poder dar essa resposta — mas os estados-membros não lhe perguntam, por medo ou por seguidismo. Desde o início da crise do euro que demasiadas respostas ficaram por dar porque nenhum governo quis fazer as perguntas certas. Não é demais lembrar que temos 28 governos vergados à austeridade no Conselho Europeu. E assim nunca ninguém se perguntou porque não podemos fazer uma conferência europeia de resolução de dívida, ou usar os fundos do Banco Europeu de Investimentos para um plano de recuperação e relançamento das economias do Sul, ou porque não podemos ter um Mecanismo Europeu de Estabilidade inteiramente comunitarizado.”


E nada a ver com: “(…) Mesmo se a emissão monetária fosse o dobro, a dívida pública portuguesa, segundo o critério de Maastricht, só se reduziria deste modo para 123%. Não é sustentável. Por outras palavras, o plano Draghi não substitui, não evita e nem pode adiar a reestruturação da dívida portuguesa (e da grega). A conclusão é que, para a Europa, a política monetária já não basta. O que é preciso é um programa de investimento e de emprego, com o Estado a por o dinheiro e a tomar as decisões sem demora. É preciso na Alemanha e é urgente nas periferias europeias. Mas, para Portugal, o único caminho para esse programa continua a ser a reestruturação da dívida, porque só assim é que o Estado consegue folga financeira. Não há nenhuma outra alternativa imediata para começar a resolver os problemas. Por isso, se ouvir festejos amanhã, desconfie: podem estar a fazer contas ao seu salário ou aos seus impostos, porque a austeridade vai continuar, mesmo com a promessa de Draghi e o seu meio bilião de euros. Um copo de champanhe não faz uma festa e a única certeza que resta é que o que tem que ser tem muita força.

1 comentário:

fb disse...

A Ministra das Finanças fala novamente em dispensar 12 mil funcionários públicos, o Estado tem 60 mil trabalhadores que foi recrutar aos centros de emprego para, sem direito a salário, desempenharem as funções dos 12 mil a dispensar, foi hoje publicada a lista com os nomes dos 150 educadores de infância, enfermeiros e técnicos de diagnóstico e de reinserção social que trabalhavam em organismos do Instituto de Segurança Social que serão colocados numa “requalificação” que será para o desemprego enquanto o Governo continuar a substituí-los por mão-de-obra gratuita. E o senhor Presidente da República e o senhor Primeiro-ministro falam-nos em terrorismo islâmico. De quem é que devemos ter medo?