terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Reactivar o desespero


Poderíamos dar-lhe o benefício da dúvida, mas para ser uma medida de incentivo à criação de emprego o “Reactivar” teria forçosamente que incluir pelo menos uma cláusula que obrigasse o empregador a manter cada estagiário admitido por um período no mínimo igual à da duração do estágio. Como tal não acontece, o novo programa de estágios anunciado para ser lançado em breve pelo Governo mais não é do que um novo pacote de incentivos ao trabalho sem direitos que será pago com o dinheiro que falta para financiar serviços públicos como Saúde e Educação de qualidade e para garantir um mínimo de dignidade às vidas das largas centenas de milhar de portugueses excluídos de qualquer auxílio no desemprego ou na pobreza. Voltará a ser o nosso dinheiro a garantir a uma classe de empresários que vai enriquecendo com o valor criado por mão-de-obra descartável e quase gratuita um desconto de 65 a 95% a aplicar sobre uma “bolsa” que varia entre os 419,22 e os 692 euros brutos, de acordo com as qualificações de cada “estagiário”. Assim apenas se reactiva o desespero que esta austeridade tão selectiva vai fomentando para fortuna da minoria que vai favorecendo. Criando-se a possibilidade de contratar mão-de-obra com grandes descontos, que ainda por cima se vão renovando com o lançamento de mais e mais programas deste tipo, nos tempos mais próximos dificilmente haverá oportunidades de trabalho sem desconto para os mais de 1,3 milhões de desempregados e para os quase 300 mil que não conseguem melhor do que um trabalho a tempo parcial. Mas a taxa de desemprego há-de continuar a diminuir. (continuar a ler

1 comentário:

fb disse...

Poderíamos dar-lhe o benefício da dúvida, mas para ser uma medida de incentivo à criação de emprego o “Reactivar” teria forçosamente que incluir pelo menos uma cláusula que obrigasse o empregador a manter cada estagiário admitido por um período no mínimo igual à da duração do estágio. Como tal não acontece, o novo programa de estágios anunciado para ser lançado em breve pelo Governo mais não é do que um novo pacote de incentivos ao trabalho sem direitos que será pago com o dinheiro que falta para financiar serviços públicos como Saúde e Educação de qualidade e para garantir um mínimo de dignidade às vidas das largas centenas de milhar de portugueses excluídos de qualquer auxílio no desemprego ou na pobreza. Voltará a ser o nosso dinheiro a garantir a uma classe de empresários que vai enriquecendo com o valor criado por mão-de-obra descartável e quase gratuita um desconto de 65 a 95% a aplicar sobre uma “bolsa” que varia entre os 419,22 e os 692 euros brutos, de acordo com as qualificações de cada “estagiário”. Assim se reactiva o desespero que esta austeridade tão selectiva vai fomentando para fortuna da minoria que vai favorecendo. Criando-se a possibilidade de contratar mão-de-obra com grandes descontos, que ainda por cima se vão renovando com o lançamento de mais e mais programas deste tipo, nos tempos mais próximos dificilmente haverá oportunidades de trabalho sem desconto para os mais de 1,3 milhões de desempregados e para os quase 300 mil que não conseguem melhor do que um trabalho a tempo parcial. Mas a taxa de desemprego há-de continuar a diminuir.