quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Reactivar o desespero (continuação)


Este podia ser a continuação do post anterior. A lógica é exactamente a mesma da que, ao garantir mão-de-obra quase gratuita a empresários sem escrúpulos, reduz a uma improbabilidade a esperança de conseguir um trabalho com salário e com direitos a todos os desempregados. O porta-voz do PSD, Marco António Costa, considerou hoje que o "processo de requalificação" em curso na Segurança Social se enquadra no "espírito reformista" do Governo e deve estender-se a todos os outros ministérios. Eles chamam "espírito reformista" a uma mentalidade negreira que põe 60 mil a trabalhar à borla nos serviços públicos através dos chamados "contratos inserção" e depois se sente à vontade para enviar pessoal para casa a receber primeiro 60 e depois 40 por cento do salário. Quando faltar gente para trabalhar, tal como acontece com os estágios profissionais no sector privado, será o desempregado que os organismos públicos em dificuldades financeiras irão recrutar ao centro de emprego mais próximo e não o "requalificado" a quem têm que pagar salário e contribuições para a CGA ou para a Segurança Social. Assim se vai enterrando um país num magnífico clima de paz social. Ninguém se chateia. Ninguém se atemoriza com a possibilidade de ser substituído por alguém que não recebe salário nem mesmo com as indemnizações por despedimento ao preço da uva mijona e com as "requalificações" à distância de um "click" no computador do dirigente do serviço respectivo. E o que está em causa são também as nossas reformas futuras. Não há salários, também não há descontos. A factura da nossa falta de solidariedade pagá-la-emos todos, não apenas alguns.

1 comentário:

fb disse...

Quando faltar gente para trabalhar, tal como acontece com os estágios profissionais no sector privado, será o desempregado que os organismos públicos em dificuldades financeiras irão recrutar ao centro de emprego mais próximo e não o "requalificado" a quem têm que pagar salário e contribuições para a CGA ou para a Segurança Social. Assim se vai enterrando um país num magnífico clima de paz social. Ninguém se chateia. E o que está em causa são também as nossas reformas futuras. Não há salários, também não há descontos. A factura da nossa falta de solidariedade pagá-la-emos todos, não apenas alguns.