segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Querida austeridade


Contas feitas pelo economista Eugénio Rosa, em termos nominais, entre 2011 e 2014, fruto de políticas de fomento do desemprego como a redução das indemnizações por despedimento, trabalho suplementar com desconto de 50% para as entidades patronais e flexibilização das relações laborais, o rendimento líquido médio dos trabalhadores do sector privado diminuiu 5,7%. Considerando o efeito da inflação, isto é, em termos reais, o poder de compra caiu relativamente a 2011 11,6%. Para os trabalhadores da função pública a redução foi ainda mais acentuada. A perda de poder de compra foi o dobro. Entre 2010 e 2014, como consequência do efeito conjugado do corte das remunerações nominais, do aumento enorme de impostos e dos descontos para a ADSE, o poder de compra dos trabalhadores do Estado reduziu-se em 22,1%. Em 2013, segundo dados do Eurostat, Em Portugal o rendimento médio mensal foi de 681 euros, 41% do salário médio alemão (1.632 euros), 61% do salário médio espanhol (mais de 1.100 euros) e sensivelmente igual ao salário médio grego (689 euros), onde a mesma austeridade que nos empobrece também comeu 30%desde 2010. Na Grécia, a alternativa a mais empobrecimento que o Syriza levará a votos no próximo Domingo segue à frente nas sondagens. Por cá, pelo contrário, os três partidos que assinaram o memorando do nosso empobrecimento colectivo cresceram nas intenções de voto dos portugueses do último mês e somam agora 69,5%. Querida austeridade.



E nada a ver com: No relatório Wealth: Having It All and Wanting More (Riqueza: Ter tudo e querer mais, numa tradução livre), elaborado por Deborah Hardoon, lê-se que os 1% mais ricos têm conseguido aumentar o seu peso na riqueza global de 44% em 2009 para 48% em 2014. As projecções apontam que, em 2016, os bilionários terão perto de 50% do bolo. E em 2020 poderão mesmo representar 54,32% da riqueza.

1 comentário:

fb disse...

Em termos reais, o poder de compra caiu relativamente a 2011 11,6%. Para os trabalhadores da função pública a redução foi ainda mais acentuada. A perda de poder de compra foi o dobro. Entre 2010 e 2014, como consequência do efeito conjugado do corte das remunerações nominais, do aumento enorme de impostos e dos descontos para a ADSE, o poder de compra dos trabalhadores do Estado reduziu-se em 22,1%. Em 2013, segundo dados do Eurostat, Em Portugal o rendimento médio mensal foi de 681 euros, 41% do salário médio alemão (1.632 euros), 61% do salário médio espanhol (mais de 1.100 euros) e sensivelmente igual ao salário médio grego (689 euros), onde a mesma austeridade que nos empobrece também comeu 30%desde 2010. Na Grécia, a alternativa a mais empobrecimento que o Syriza levará a votos no próximo Domingo segue à frente nas sondagens. Por cá, pelo contrário, os três partidos que assinaram o memorando do nosso empobrecimento colectivo cresceram nas intenções de voto dos portugueses do último mês e somam agora 69,5%. Querida austeridade.