segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

"Instabilidade política", ameaçaram



Menos de doze horas depois de serem conhecidos os resultados eleitorais, a Grécia já tem Governo. Digam lá coisas, senhores "comentadores"? Alexis Tsipras já tomou posse como Primeiro-ministro. É o primeiro a prescindir do juramento religioso.




«Se votares em mim, é a prova da consciência e maturidade do povo. Se votares nele, é a prova do vazio de um mero voto de protesto. Eu apresentei propostas consistentes. Não resultaram e ninguém as quis manter. Mas qualquer mudança será grave prova de populismo desbragado. Só podem ganhar as políticas de compromisso. Excepto o Syriza, que é um partido de extrema-esquerda, perigoso para o compromisso europeu. “Colisão com a Europa”, diz a capa do Guardian. “Terror”, escreve o Bild. Ouviu estas três frases durante o dia de ontem? Pois divirta-se que estes momentos são únicos. (continuar a ler)». Francisco Louçã.

4 comentários:

Francisco Trindade disse...

12 horas ou 36 ou 72 horas isso é irrelevante...O que é relevante é que o acordo de governo foi feito com um partido do lado contrário do espectro político do syriza...
Isso irá ter consequências...obviamente!

Francisco Trindade

Filipe Tourais disse...

São vagamente nacionalistas, populistas e anti-troika. Ja existe Governo, as eleições não serão repetidas, é o que importa agora. O resto há-de ver-se mais adiante. E sim, tinham um prazo de três dias para conseguir apoio parlamentar para suportar um Governo.

Francisco Trindade disse...

Filipe,

reconheça que isso é muito pouco...politicamente falando. Havia um outro partido de esquerda "moderada" com 6 deputados...Não era mais lógica a união com estes do que com aqueles?
O que é que o syriza deu em troca?
Por quanto é que venderam "a alma ao diabo"? Dir-me-à, ainda é muito cedo para avaliar isso...mas se não for assim é sempre mais do mesmo...não é?

Do José Gusmão disse...

"A escolha do Anel como parceiro para um acordo de governo tem animado um debate esclarecedor entre a esquerda portuguesa. Não é surpreendente: este partido é conhecido por ter posições contra a imigração e os homossexuais que o colocam nos antípodas de um partido como o Syriza. A esse respeito, são relevantes duas notas: (1) a posição do Anel sobre imigração é semelhante à das grandes famílias europeias (PPE e Socialistas) e, portanto, compará-lo à Frente Nacional ou à Aurora Dourada é um exagero que só pode ter propósitos propagandísticos. (2) O acordo Syriza-Anel incidirá sobre as questões económicas e da dívida, deixando de parte qualquer compromisso sobre direitos individuais, área em que as posições são antagónicas e o Syriza tem parceiros bem mais frequentáveis. Era melhor que o Syriza tivesse tido maioria absoluta para dispensar más companhias? Era. Mas não teve.




Seria melhor o Syriza ter privilegiado outros parceiros? Quais, então? O Partido Comunista Grego aceitou reunir com o Syriza, mas apressou-se a adiantar que não faria qualquer acordo de Governo, em coerência aliás com o que já tinha feito na sequência das anteriores eleições. O Pasok defende o memorando e o “respeito pelos compromissos do Estado grego”. Os compromissos com os credores, bem entendido, que com os cidadãos não há compromissos relevantes. O Partido de Papandreou não entrou no Parlamento, tal como o Dimar, reduzido à total irrelevância.




Restaria o Potami, um partido de centro, euro-entusiasta, que se tornou a esperança de vários comentadores para “moderar” o Syriza na sua relação com as instituições europeias. O Potami é um partido com o qual o Syriza tem pontos de convergência em muitas áreas e com o qual terá, com toda a probabilidade, muitas alianças pontuais. Tem um pequeno inconveniente: não é um aliado fiável para a condução de um processo de confronto com as instituições europeias sobre a questão da dívida. E esse confronto é decisivo.




Defender a restruturação dívida não é achar que era uma óptima ideia se toda a gente se pusesse de acordo sobre o assunto: Merkel, Tsipras, Juncker, Draghi, etc. Quem governar a Grécia tem de ter uma posição de força. Se essa posição depender de um acordo com quem andou a destruir a Grécia, então esse Governo não estará a negociar. Estará a pedir batatinhas. E terá o mesmo sucesso que tiveram os pedintes anteriores.




Ao contrário do Potami, o Anel mostrou-se disponível para esse confronto. O que resulta desse acordo é o que se poderia classificar como um Governo de unidade patriótica. Esse governo, se honrar o seu compromisso, terá um apoio social esmagador. E precisa dele para enfrentar dificuldades tremendas. Não sabemos se o Anel se aguentará à bronca. Sabemos, sim, que se o Syriza se amarrasse a um parceiro cuja primeira preocupação é entender-se com as instituições europeias, o Governo do Syriza não durava três meses. Nem um. Cairia na primeira chantagem, na primeira retaliação. E haverá muitas.




Estou naturalmente a excluir o cenário louco-furioso de rejeitar qualquer acordo de Governo e provocar novas eleições, exigindo uma maioria absoluta. Semelhante disparate deixaria o Syriza politicamente isolado e ainda mais distante da maioria absoluta ou mesmo… da relativa.




Naturalmente, está quase tudo por fazer. As dificuldades que o Syriza enfrentou até agora são uma brincadeira comparadas com o que agora os espera. Era bem mais fácil enfrentá-las com uma maioria absoluta. Os gregos não quiseram assim. Resta esperar que o Syriza consiga apoios sólidos no Parlamento. E saiba manter os que tem na rua."