quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Não se fazia


Mais uma corrida, mais uma viagem. Desta vez foi Narciso Miranda. Estava acusado de ter desviado 17 mil euros de uma associação mutualista. Aconteceu o mais difícil, o  Tribunal deu como provados alguns dos factos relativos ao crime de participação económica em negócio, mas o ex-autarca do PS acabou por ser absolvido porque aconteceu uma coisa ainda mais difícil: o Ministério Público (MP) não referiu no despacho de acusação ter a Associação de Socorros Mútuos de São Mamede de Infesta, a associação mutualista de onde o dinheiro foi surripiado,  a qualidade de instituição de utilidade pública,  qualidade essa que equipararia Narciso Miranda a funcionário público, equiparação essa que por sua vez seria necessária  para condená-lo porque, de acordo com o Código Penal,  apenas os funcionários públicos podem ser condenados pelo crime  pelo qual aquele cidadão impoluto respondia. Foi um "esquecimento" voluntário ou involuntário? Se foi voluntário, quanto dinheiro terá sido pago a quem se prontificou a esquecer-se tão bem? Haverá lugar a algum tipo de investigação criminal desta conduta? Ao menos ser-lhe-á aberto algum tipo de procedimento disciplinar? Será que o julgamento não poderia ser repetido com a acusação formulada como deveria? É o abres, é o repetes, é o fazes. Fica assim mesmo. Narciso foi mais uma vítima de uma Justiça que se especializou em importunar cidadãos honestos e benfeitores da sua comunidade. Ele, sim, é que tem razões de queixa. Roubaram-lhe o seu precioso tempo. Perturbaram a paz que necessita para fazer o bem sem olhar a quem. Não se fazia.

1 comentário:

fb disse...

Aconteceu o mais difícil, o Tribunal deu como provados alguns dos factos relativos ao crime de participação económica em negócio, mas o ex-autarca do PS acabou por ser absolvido porque aconteceu uma coisa ainda mais difícil