terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Gostei de ler: "A quem é que isto interessa?"


«Desde o fim de 2014 pululam notícias de pré-candidaturas à Presidência da República. Mesmo depois de Cavaco Silva ter defendido (e praticado) uma magistratura de inexistência, condenando o mais alto cargo da nação a adereço protocolar, nos momentos mais difíceis que este país viveu nas últimas décadas, parece que há quem entenda que as Presidenciais de 2016 serão muito mais relevantes que as Legislativas de 2015.

Admito que esta ideia até podia ser sustentada caso algum dos pré-candidatos assumisse o veto às privatizações, a não promulgação de medidas e orçamentos do Estado inconstitucionais ou a luta pela recuperação da soberania popular, ou seja, romper com a prática de Cavaco Silva assumindo posições políticas com relevância na vida das pessoas.

Mas não. Os pré-candidatos que se acotovelam em declarações de silêncio representam pouco mais do que uma disputa entre sociedades de advogados e de comunicação. A discussão não se fará dentro dos partidos do arco da governação mas entre sociedades. Avançará o homem da Abreu Associados contra o da Cuatrecasas Gonçalves Pereira? O professor da TVI contra o comentador da SIC ou da CMTV? Percebo que, para as agremiações que nos governam, seja interessante discutir nomes e fabricar sondagens por forma a garantir uma indicação dinástica do homem – sublinho “do homem” – que se segue e de modo a garantir que, na campanha para as legislativas, PS e PSD passam de fininho comprometendo-se com o mínimo possível. Não sei se por muito tempo, mas ainda está nas nossas mãos provocar um rombo nos negócios que fazem com o que é nosso. Por mais que não passe nas notícias, temos uma oportunidade daqui a nove meses.» – Tiago Mota Saraiva, no I.

1 comentário:

fb disse...

Não sei se por muito tempo, mas ainda está nas nossas mãos provocar um rombo nos negócios que fazem com o que é nosso. Por mais que não passe nas notícias, temos uma oportunidade daqui a nove meses.» – Tiago Mota Saraiva, no I.