sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Fly TAP, fly TAX



Fala-se muito, e quanto mais tanto melhor, sobre o insulto que é a inscrição num caderno de encargos que ainda ninguém conhece de um prémio à obediência canina dos amarelos do costume e da indicação como primeiros a despedir dos filiados nos sindicatos que, porque o são, realmente fizeram frente ao Governo contra a privatização da TAP. A possibilidade é mais um legado da fúria reformista de Sócrates, mas não quero entrar por aí. O que motiva este que lêem é a minha surpresa por não haver quem reclame pela não inclusão no dito caderno de encargos de uma cláusula que proíba a TAP privatizada de fazer como todas as empresas alvo de privatizações anteriores, que mudaram a sua sede fiscal para paraísos fiscais como a Holanda ou o Luxemburgo. É que já basta ficar sem controlo público sobre empresas com inegável importância estratégica e proporcionar rendas a quem delas se apodera. Permitir que se excluam de contribuir para a sociedade que as enriquece é perder uma segunda vez. Permitir que despeçam pessoal que a seguir contratam a um salário e em condições contratuais piores é perder ainda uma terceira, uma quarta, uma quinta e por aí adiante: não há salários, não há descontos para a Segurança Social, nem há impostos, nem há consumo. Perdem as nossas reformas futuras, perdem os serviços públicos que ainda vamos tendo e perde o emprego assegurado pelas empresas que vão descobrindo as “poupanças” salariais umas das outras nos compartimentos vazios das caixas registadoras respectivas. Esta, quanto a mim, seria a abordagem que melhor nos mobilizaria enquanto comunidade. Quase ninguém a utiliza. E a deflação a bater-nos à porta.

1 comentário:

fb disse...

Uma cláusula que proíba a TAP privatizada de fazer como todas as empresas alvo de privatizações anteriores, que mudaram a sua sede fiscal para paraísos fiscais como a Holanda ou o Luxemburgo. É que já basta ficar sem controlo público sobre empresas com inegável importância estratégica e proporcionar rendas a quem delas se apodera. Permitir que se excluam de contribuir para a sociedade que as enriquece é perder uma segunda vez. Permitir que despeçam pessoal que a seguir contratam a um salário e em condições contratuais piores é perder ainda uma terceira, uma quarta, uma quinta e por aí adiante: não há salários, não há descontos para a Segurança Social, nem à impostos, nem há consumo. Perdem as nossas reformas futuras, perdem os serviços públicos que ainda vamos tendo e perde o emprego assegurado pelas empresas que vão descobrindo as “poupanças” salariais umas das outras nos compartimentos vazios das caixas registadoras respectivas. E a deflação a bater-nos à porta