Era uma vez uma empresa pública,
feita com o dinheiro dos portugueses, que fornecia serviços de qualidade,
garantia a muita gente empregos qualificados e bem pagos e, porque operava num
mercado sem concorrência, gerava avultadas receitas ao Estado português. Foram assim
a Galp, a EDP, os CTT e tantas outras empresas que, apesar do seu valor
estratégico, foram vendidas ao desbarato a privados ao longo dos últimos quinze
anos. Os argumentos que justificaram as privatizações foram basicamente dois, o
de uma concorrência que se sabia nunca aconteceria depois de deixarem de ser
públicas e o da eficiência da gestão privada, que entusiasmados governantes e
comentadores vendiam à opinião pública como incomparavelmente superior à da
gestão pública.
A PT foi uma destas empresas.
Como todas as outras, foi vendida a preço de saldo. Como em todas as outras, as
receitas que proporcionava ao Estado para financiar Saúde e Educação foram
transformadas em rendas garantidas a privados pela ausência de concorrência.
Como todas as outras, distribuiu lugares na sua administração pagos a peso de
ouro a figuras do centrão que pôs o país a rentabilizar negócios como o seu.
Como todas as outras, deixou de ser um dos maiores e melhores empregadores do
país, tendo os seus empregos qualificados, estáveis e bem pagos sido postos nas
mãos de empresas de trabalho temporário às quais a PT confiou a sua
transformação em trabalho o mais mal pago e o mais precário possível, de forma
a maximizar lucros também maximizados pelas isenções e perdões fiscais
concedidos pelo mesmo centrão ao qual foi retribuindo com os salários
principescos atrás referidos.
Uma destas isenções fiscais
aconteceu com o negócio da venda da VIVO, no tempo de Sócrates, outra com o negócio da fusão da PT com a OI, novamente com a cumplicidade do PSD e CDS, então na oposição, e outra ainda com a eliminação das golden share que o Estado detinha na PT, EDP e Galp, já pela mão do actual Governo e sem qualquer contrapartida para o Estado, uma borla completa. Ao mesmo tempo que
sobrecarregava os portugueses com sacrifícios draconianos e uma carga fiscal
nunca vista, o Governo abdicou de receber um cêntimo sequer da parte que
caberia ao Estado se o interesse público tivesse sido devidamente acautelado e se a legislação fiscal fosse aplicada a todos estes
negócios que renderiam várias centenas de milhão.
As justificações de todos estes atentados ao interesse público foram todas elas bizarras. Por exemplo, a fusão com a OI foi justificada com o nascimento do maior operador de telecomunicações de Língua oficial portuguesa. Um gesto muito bonito, tenho que concordar. Mas a empresa já não era pública e, sendo privada, qualquer perdão seria um donativo de muitos milhões de um povo que conta os tostões para conseguir comer até ao final de cada mês a uma empresa que rende milhões todos os dias. Um roubo mesmo nada bonito.
As justificações de todos estes atentados ao interesse público foram todas elas bizarras. Por exemplo, a fusão com a OI foi justificada com o nascimento do maior operador de telecomunicações de Língua oficial portuguesa. Um gesto muito bonito, tenho que concordar. Mas a empresa já não era pública e, sendo privada, qualquer perdão seria um donativo de muitos milhões de um povo que conta os tostões para conseguir comer até ao final de cada mês a uma empresa que rende milhões todos os dias. Um roubo mesmo nada bonito.
E agora adeus à tal maior
operadora de Língua oficial portuguesa. A OI quer ver-se livre da PT. A tal
gestão privada, tão mais eficiente do que a pública, andou a emprestar às
escondidas 900 milhões a esse universo de delinquência tão dona disto tudo que
faliu o BES como lhe apeteceu sem que o regulador visse o mais pequeno indício
de irregularidades. Dois dos responsáveis pelo desfalque, reconhecidíssimos como
gestores pelo regime ao ponto de receberem condecorações presidenciais, HenriqueGranadeiro primeiro e Zeinal Bava hoje, já foram corridos da PT/OI, embora sem o procedimento
criminal aplicável ao comum dos mortais que se aventure
a abusar da confiança nele depositada para emprestar dinheiro que não é seu a uns
amigos do peito.
Quem necessita dos préstimos de (pelo
menos) um gestor premiadíssimo e com um registo criminal imaculado? Quem quer comprar
uma empresa de telecomunicações de um país onde pode explorar “colaboradores” à
sua vontade, pode combinar preços com uma concorrência colaborante e pode contar
com Governos que colaboram até na restrição a quatro canais do TDT que noutros países
emite mais de 50? Colabore, não se mexa. Estas histórias terminam sempre bem. A
continuação é Já a seguir, num telejornal perto de si.
(editado)
(editado)

