segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Brasil: vitória dos males menores


Primeira volta das presidenciais brasileiras. Dilma 41%, Aécio 33, Marina 21. Nenhum dos três candidatos apresenta qualidades excepcionais que justifiquem particular satisfação pela sua vitória. Todos eles, em maior ou menor grau, estão alinhados com a mesma subalternização da política àquela solução mercantilizada, financeirizada e cheia de "reformas estruturais" que põe economias inteiras a produzir lucros em vez de produzir riqueza, que tão maus resultados tem tido em todo o mundo.

Mas há razões para festejar a derrota da pior dos três, Marina Silva, um acumulado de capturas: grande finança, agro-negócio e até os negócios turvos das seitas evangélicas. À segunda volta vão Dilma e Aécio. A primeira, quanto a mim a menos má, tem a seu favor o novo Brasil que o seu partido soube construir aos solavancos da corrupção partindo quase do zero, reduzindo a pobreza e as desigualdades e fazendo a Educação e a Saúde chegar a quem antes não chegavam. Aécio tem a seu favor uma imprensa que coloca a sua foto nas manchetes de jornais que noticiam a vitória de Dilma, os anticorpos deixados por uma copa do mundo de futebol feita com dinheiro desviado da qualidade de vida dos brasileiros e a falta de memória sobre esse Brasil que nas mãos do seu partido sempre foi uma colónia americana.

Falta falar sobre corrupção, que no Brasil é um fenómeno transversal a todos os partidos e, por essa razão, não deve ser factor de desempate nas preferências de ninguém. Se falo nela é para realçar uma curiosidade. Foi com Dilma que os corruptos começaram a ser postos na cadeia. Antes falava-se neles, agora comprovadamente existem porque Dilma os combateu. Perdeu votos ao fazê-lo. A imprensa deu uma mãozinha. Os escândalos colaram-se à sua imagem.