«Seguro atacou Costa porque este
o atacara por ter determinado a abstenção do PS no Orçamento de 2012, e
respondeu que Costa também teria sugerido a mesma abstenção. Parece que não é
verdade, Costa recomendou o voto contrário. Claro que só podemos ficar
ligeiramente confusos com Seguro, porque acusa Costa de ter defendido o mesmo
que ele. Pecado capital.
Mas a resposta de Costa é
porventura mais perplexificante: diz ele que queria o voto contra aquele
Orçamento, por tão mau que era, mas preferia a abstenção a todos os Orçamentos,
fossem eles o que fossem, maus ou piores.
Tudo isto tem por fonte
autorizada o programa da SicN onde se faz a semanal “quadratura do círculo”.
“Por sistema”, alegou Costa na SIC a 13 de Outubro de 2011, “o PS e o PSD
(devem) oferecer-se condições recíprocas de governabilidade (…) abstendo-se em
instrumentos fundamentais, (…) (como sejam os) orçamentos, as moções de censura
e as moções de confiança”. Acrescentou mesmo que “acho que deve ser uma regra que
ambos os partidos devem assumir”. Uma regra perpétua, como as promessas de
casamento, até que a morte os separe.
Aqui está o situacionismo em todo
o seu esplendor, mostrando porque é um dos pilares fundacionais do regime.
António Costa, que acusa Seguro de ser oposição fraca neste tempo de crise
abissal – e portanto quer uma oposição forte com enérgicas respostas
alternativas – sugere que PS e PSD se comprometam mutuamente a uma permanente
abstenção aprovatória sempre que se tratar de confirmar orçamentos (as medidas
colossalmente erradas do outro, supõe-se) ou de saber se se deve ou não
interromper o prosseguimento de políticas ruinosas (as moções de censura).
Nunca nada, a oposição aceita aquilo a que se opõe e garante a sua
continuidade, palavra de cavalheiros.
Ou seja, quanto menos valor
tiverem para o país os feitos do governo, mais neutral deve ser a oposição,
para todo o sempre. Supondo evidentemente que esse é o caminho para uma posição
forte, como a que é precisa quando o mau governo deve ser substituído pelos que
aceitam a sua continuidade. Percebemos todos?» - Francisco Louçã, no Público.

