Ontem destaquei aqui um
contributo importante para que a nossa sociedade tenha conhecimento de causa
sobre as implicações de uma eventual saída do euro, hoje destaco um estudo de
uma consultora que fornece algumas pistas sobre as consequências do adiamento
dessa decisão.
Assim, para quem ainda não se deu
conta que mantendo o euro as desvalorizações do regresso ao escudo já são
sentidas pela grande maioria que vive do seu trabalho, este estudo das folhas de
salários de 302 empresas aponta o seguinte: “"em
2014 os cargos de direcção geral e administração conseguiram aumentos na ordem
dos 3,31%. Os directores de primeira linha e as chefias intermédias tiveram
crescimentos de 1,64% e 1,14%, respectivamente. Porém, essa não foi a realidade
para os trabalhadores com funções comerciais e vendas ou para os operários.
Nestes patamares, registou-se uma descida de ordenado que chegou aos 1,41% (operários)
e aos 0,14% (comerciais). Noutras funções, como administrativos ou quadros
superiores, a evolução face a 2013 foi quase residual: 0,44% e 0,97%,
respectivamente.” Os primeiros permanecem no euro, os segundos há muito que
estão no escudo.
Acresce referir que, dada a
desvalorização salarial dos segundos, que são a grande maioria, e uma vez que
são os seus salários que geram o grosso das contribuições para a Segurança
Social que pagam as pensões de reforma e as prestações sociais e que são também
esses salários que geram mais de 75% dos impostos que pagam os serviços
públicos, quer a degradação da qualidade e a redução da quantidade destes
últimos, quer a implosão do sistema de pensões são consequências mais do que
naturais num contexto de desvalorização salarial constante.
Pelo seu lado, quer a tão desejada fixação de um tecto máximo para as contribuições para a Segurança Social, quer a
reforma do IRS que vem reduzindo a progressividade do imposto garantem a quem
têm que garantir a permanência no euro, ao mesmo tempo que aceleram ainda mais
o regresso ao escudo da grande massa amorfa que nada vai fazendo pelo seu
presente e pelo futuro das gerações vindouras. Euro para uns, escudo para os restantes.
E paz social e alternância do centrão para atestar a satisfação de todos.

