Banco “bom”, banco “mau”. Partido
“mau”, “que se lixem as eleições”, eleições à vista, partido “bom”. E as
eleições são já para o ano. O Governo recuou e já
não vai avançar nem com o aumento da taxa de IVA, nem com a subida da Taxa
Social Única (TSU). Esta opção do Executivo eleva para 662 milhões de euros
o desvio relativamente ao imposto pelo Tratado Orçamental com que
começa a preparar o Orçamento do Estado para o próximo ano, o último com cortes
salariais na Administração Pública pelo menos até nova decisão grotesca do
Tribunal Constitucional. E no ano imediatamente a seguir? Sem cortes salariais,
em 2016, o Governo do partido “mau” que consiga levar a melhor sobre a
concorrência mesmo sem se comprometer a rasgar o malfadado Tratado Orçamental,
seja ele o PSD ou o Novo PS, irá tomar medidas para não desagradar à rainha
Merkel e à sua corte de Bruxelas. Que medidas serão essas? Privatização de serviços
públicos e respectivos despedimentos? Mais aumentos brutais de impostos sobre o
trabalho e sobre o consumo? São partidos “bons”, não falam sobre estas coisas. A
Alemanha quer um super
Comissário não eleito com o poder de vetar os Orçamentos aprovados pelos parlamentos
nacionais eleitos democraticamente em cada país da União Europeia. Os partidos
“bons” do arco da subserviência também não lhe disseram que não. Povo "bom", povo mau. O "melhor povo do mundo" resiste sempre muito bem a estes testes de stress à
sua capacidade de comer e calar. “Ai aguentam, aguentam”. "Não há-de ser nada".
Vagamente relacionado:
A dívida pública portuguesa tinha atingido no final de Junho o valor mais
elevado de sempre, mas no final de Julho esse montante voltou a ser
ultrapassado. Do final de Junho de 2014 para o final de Julho a dívida passou
de 223,27 mil milhões de euros para 224,53 mil milhões, segundo os critérios de
Maastricht. Num mês apenas, a dívida pública aumentou
1.260 milhões de euros e pode já ter chegado aos 134,7% do PIB. No final de
2011, era de 108,3%.
Ainda mais vagamente:
O dinheiro dos contribuintes que já foi injectado no Novo Banco pode não chegar
para tapar o buraco aberto pelos Espírito Santo, alerta a KPMG. A auditora
duvida do valor dos activos que passaram para o Novo Banco e recusa-se
a assinar as contas do primeiro semestre deste ano. A KPMG diz que o
impacto das medidas de resolução aplicadas pelo Banco de Portugal é
"significativo" para a condição financeira do banco e que tanto a
recuperabilidade e realização de activos como o reembolso dos seus passivos
"é incerta, uma vez que na presente data não são conhecidos os critérios e
bases de avaliação dos mesmos para efeitos da sua transferência para o Novo
Banco".

