É um daqueles termos estúpidos
que muitos repetem porque lhes entrou no ouvido e porque os outros também o
repetem. Nada tem de sentimento e pouco tem de económico, mas o seu nome é
“sentimento económico”, estranha graça para o resultado de um inquérito que
alegadamente mede expectativas que alegadamente indiciam a tal “confiança” que,
por sua vez, alegadamente é o motor dos motores da economia. O neoliberalismo é
assim, vai saltitando de alegadamente em alegadamente, ao ritmo da sua
criatividade semântica, convenientemente repetida na comunicação social por
alegados “especialistas” em economia que ajudam governantes a disfarçarem
fracassos consumados misturando preocupações aparentemente muito responsáveis
quanto ao presente com expectativas optimistas relativamente a um futuro invariavelmente
risonho.
Uma das não notícias do dia é precisamente
a alegada preocupação do comissário
europeu dos Assuntos Económicos com a queda no indicador de “sentimento
económico” registada em Agosto na Europa. Diz o senhor Jyrki Katainen que sem
confiança não haverá o indispensável aumento do investimento, isto é, apesar do
cenário de deflação ser cada vez mais provável, o sucessor de Olli Rehn também
acha que a confiança dos investidores irá regressar assim do nada, sem o impulso
do investimento público que a ditadura orçamental que representa proíbe e sem a
revitalização do consumo privado que a flexibilização das relações laborais e o
achatamento salarial que a mesma irracionalidade económica impôs foi
pulverizando.
Como se reflectiria no tal
“sentimento económico” o anúncio de um regresso ao paradigma daquela Europa
social que durante décadas obrigou o crescimento económico a andar de braço
dado com o aumento constante do bem-estar dos europeus e com a diminuição das desigualdades?
A confiança restabelece-se com fórmulas de sucesso mas Bruxelas insiste em tentar
convencer-nos que vai fazê-la regressar insistindo numa fórmula que nunca
produziu mais do que fracassos. Tudo se resume a acreditar com muita força nos “sentimentos
económicos”. Um dia, quando menos a esperarmos, a confiança há-de sentir saudades
nossas. Basta esperaá-la.

